Versículo
Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença.
1 Crônicas 16:11
Confronto
Existe uma maneira simples e desconfortável de descobrir o lugar que a oração ocupa em nossa vida: observar quando mais oramos. Se nossos períodos mais intensos de busca quase sempre coincidem com enfermidades, crises familiares, dificuldades financeiras, portas fechadas, medo, perdas ou situações que escaparam do nosso controle, talvez precisemos admitir que não desenvolvemos apenas uma vida de oração, desenvolvemos também o hábito de procurar Deus principalmente quando precisamos que Ele resolva alguma coisa.
Quando tudo está bem, nossas orações diminuem. Quando surge um problema, elas aumentam. Quando a resposta chega, diminuem novamente. Sem perceber, podemos transformar Deus em alguém que procuramos principalmente para administrar nossas emergências. O confronto não está em buscar o Senhor quando estamos sofrendo, porque Ele mesmo nos convida a clamar no dia da angústia. O problema começa quando a angústia consegue nos levar para a Presença de Deus com uma intensidade que o amor por Deus raramente consegue produzir.
Oração
Pai, eu quero olhar com sinceridade para aquilo que tem me levado à oração. Tu conheces cada vez que corri para Ti porque estava com medo, porque precisava de uma resposta, porque alguma coisa estava dando errado ou porque minhas possibilidades haviam terminado. Obrigado porque nunca rejeitaste meu clamor e porque Tua Palavra me ensina que posso procurar-Te nos dias de angústia. Mas hoje eu reconheço que existe algo errado quando somente as dificuldades conseguem despertar em mim uma fome por Tua Presença.
Perdoa-me pelas vezes em que Te busquei intensamente até receber aquilo que precisava e, depois da resposta, permiti que minha oração diminuísse novamente. Perdoa-me quando minha necessidade foi maior do que meu desejo de comunhão Contigo, quando procurei Tua mão sem desejar suficientemente Tua Presença e quando transformei a oração em uma tentativa de conseguir respostas, em vez de reconhecê-la também como lugar de relacionamento com meu Pai.
Eu não quero conhecer-Te apenas como aquele que resolve meus problemas. Quero conhecer Teu coração. Quero aprender a chegar diante de Ti sem carregar uma lista de urgências, simplesmente para agradecer, adorar, ouvir Tua Palavra, confessar minhas fraquezas e permanecer Contigo. Ensina-me a não perguntar sempre o que Tu podes fazer por mim, mas também a desejar aquilo que Tu queres fazer em mim. Que a oração deixe de ser apenas o lugar onde apresento minhas necessidades e volte a ser o lugar onde meu coração encontra o Teu.
Quando a próxima crise chegar, quero correr para Ti, mas não como alguém que está retornando depois de uma longa ausência. Quero chegar como quem já estava Contigo antes de o problema aparecer. Que a dificuldade me encontre orando, que a notícia inesperada me encontre orando, que o medo me encontre orando e que os dias tranquilos também me encontrem orando. Não quero construir minha comunhão ao redor das emergências. Quero construir uma história de relacionamento Contigo que continue existindo independentemente das circunstâncias. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reflexão
A Bíblia não condena quem procura Deus por causa da dor. Pelo contrário, encontramos inúmeras pessoas clamando ao Senhor em situações extremas. Ana derramou sua alma diante de Deus por causa da esterilidade. Josafá buscou o Senhor diante de uma ameaça militar. Ezequias orou quando recebeu uma notícia terrível. Os salmos estão repletos de clamores pronunciados em dias de angústia. Existe, portanto, um lugar legítimo para a oração desesperada.
O problema aparece quando nossa relação com Deus praticamente depende do problema continuar existindo. Algumas pessoas possuem uma vida espiritual muito mais intensa enquanto estão esperando uma resposta. Durante esse período, oram, jejuam, leem a Palavra, procuram mensagens, participam de cultos e pedem que outras pessoas intercedam. Quando finalmente recebem aquilo que estavam buscando, pouco a pouco aquela intensidade desaparece. A bênção pela qual tanto oraram acaba revelando algo doloroso: talvez estivessem buscando mais aquilo que Deus poderia dar do que o próprio Deus.
Jesus encontrou essa realidade depois de curar dez leprosos. Os dez clamaram por misericórdia. Os dez obedeceram à orientação recebida. Os dez foram purificados. Mas somente um voltou, glorificando a Deus, e prostrou-se aos pés de Jesus para agradecer. Então Jesus perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Lucas 17:17. Todos souberam procurar Jesus enquanto precisavam de alguma coisa. Apenas um percebeu que, depois de receber aquilo que precisava, ainda havia uma razão para voltar.
Essa história pode nos confrontar mais do que imaginamos. Quantas vezes fizemos promessas enquanto aguardávamos uma resposta? Quantas vezes dissemos que, se Deus nos ajudasse, jamais esqueceríamos aquilo que Ele havia feito? Depois a tempestade passou, a porta se abriu, a enfermidade melhorou, o problema foi resolvido ou a situação se estabilizou, e aquilo que deveria produzir gratidão acabou produzindo relaxamento espiritual.
Uma vida de oração amadurece quando Deus deixa de ser procurado somente por causa daquilo que está acontecendo ao nosso redor. Nos dias ruins, buscamos porque precisamos dEle. Nos dias bons, continuamos buscando porque também precisamos dEle. A diferença é que, quando tudo está bem, nossa necessidade fica menos evidente. A ausência de problemas pode criar a ilusão de autossuficiência, mas continuamos dependendo de Deus para cada respiração, cada decisão, cada passo e cada novo dia.
Talvez uma das maiores evidências de crescimento espiritual seja aprender a permanecer depois da resposta. Continuar orando quando aquilo que nos levou aos joelhos já foi resolvido. Continuar buscando quando não existe nenhuma emergência. Continuar desejando o Pai quando Sua mão já entregou aquilo que pedimos. É nesse ponto que a oração começa a revelar que existe relacionamento, porque quem ama a Presença não desaparece quando recebe a bênção.
Pergunta Que Não Dá Para Ignorar
Se todos os meus problemas fossem resolvidos hoje, minha vida de oração continuaria com a mesma intensidade ou eu descobriria que grande parte daquilo que chamo de busca por Deus depende das coisas que ainda preciso receber dEle?
Atitude de Hoje
Hoje, faça algo diferente no seu período de oração. Durante uma parte desse tempo, não peça nada. Mesmo que existam necessidades reais esperando por uma resposta, reserve alguns minutos exclusivamente para agradecer e adorar. Lembre-se de quem Deus é, reconheça aquilo que Ele já fez e permaneça diante dEle sem transformar imediatamente esse encontro em uma lista de necessidades.
Depois, escolha uma oração antiga que Deus já respondeu e agradeça novamente por ela. Volte aos pés de Jesus depois da resposta. Esse pequeno exercício pode revelar se você aprendeu apenas a clamar quando precisa ou se também está aprendendo a permanecer quando recebe.
Palavra Para Guardar
Uma vida de oração não é revelada apenas pela intensidade com que você procura Deus quando tudo dá errado, mas pela constância com que continua procurando por Ele quando tudo parece estar bem.
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