Versículo
Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.
Salmo 63:1
Confronto
Cinco minutos podem parecer insignificantes durante o dia. Cinco minutos diante de uma rede social passam quase sem serem percebidos. Cinco minutos assistindo a vídeos facilmente se transformam em vinte, quarenta ou sessenta. Cinco minutos conversando com alguém parecem pouco. Mas, para algumas pessoas, cinco minutos em oração parecem longos. Depois das primeiras palavras, já não sabem mais o que dizer, a mente começa a procurar outros assuntos, o corpo fica inquieto e surge aquela sensação de que o período deveria terminar. Isso precisa nos confrontar: como conseguimos permanecer tanto tempo diante de coisas que alimentam nossos olhos e nossa mente, mas encontramos tanta dificuldade para permanecer alguns minutos diante de Deus?
Talvez o problema não seja apenas disciplina. Pode haver algo mais profundo acontecendo com nossos desejos. Aprendemos a buscar estímulos constantes, novidades rápidas e respostas imediatas. A oração, porém, nos coloca diante de um Deus que não precisa nos entreter. No secreto não existe uma sequência infinita de novidades disputando nossa atenção. Existe relacionamento, permanência, espera e entrega. Quando cinco minutos com Deus parecem demorados, talvez não precisemos apenas aprender a administrar melhor o relógio. Precisamos perguntar o que aconteceu com nossa fome pela Presença daquele que dizemos amar.
Oração
Pai, eu reconheço que muitas vezes tenho dificuldade de permanecer diante de Ti. Começo a orar e rapidamente minha mente se espalha por compromissos, preocupações, lembranças e coisas que preciso fazer. Em alguns momentos, mal comecei a falar Contigo e já estou pensando em terminar. Ao mesmo tempo, consigo permanecer muito mais tempo diante de outras coisas sem perceber as horas passando. Hoje eu não quero justificar essa contradição. Quero colocá-la diante de Ti.
Examina meus desejos e mostra-me aquilo que tem ocupado tanto meu interior que já não consigo permanecer em quietude diante de Ti. Talvez eu tenha acostumado minha mente a receber estímulos o tempo inteiro. Talvez tenha alimentado tantas distrações que o secreto começou a parecer difícil. Talvez eu tenha confundido falta de concentração com falta de capacidade de orar e, por isso, tenha desistido rapidamente de muitos encontros Contigo. Ensina-me novamente a permanecer.
Eu não quero transformar a oração em uma obrigação cansativa nem permanecer diante de Ti apenas para completar determinado número de minutos. Quero recuperar o prazer da comunhão. Quero que minha alma volte a reconhecer aquilo que o salmista compreendeu quando declarou que tinha sede de Ti. Não quero ter fome apenas das Tuas respostas, dos Teus milagres e das Tuas bênçãos. Quero ter fome de Ti.
Quando minha mente se distrair, ensina-me a voltar sem desistir. Quando faltarem palavras, ensina-me que não preciso preencher cada segundo falando. Quando eu não sentir emoção alguma, ajuda-me a compreender que Tua Presença não depende das minhas sensações. Quando parecer que nada extraordinário está acontecendo, lembra-me de que estar diante de Ti já é extraordinário. Não permitas que minha geração, acostumada com velocidade e estímulos constantes, determine a maneira como me relaciono Contigo.
Pai, aumenta em mim o desejo de Te buscar. Que eu não precise ser empurrado para a oração somente pelas dificuldades. Que exista dentro de mim uma sede que me faça voltar espontaneamente ao secreto. Reeduca minha atenção, reorganiza meus afetos e ensina meu coração a permanecer. Não quero apenas conseguir ficar mais tempo em oração. Quero desejar ficar Contigo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reflexão
O Salmo 63 foi escrito por Davi no deserto de Judá. A imagem utilizada por ele não poderia ser mais adequada: terra seca, exausta e sem água. Entretanto, aquilo que Davi descreve como sua maior sede não é conforto, segurança ou mudança de circunstâncias. Ele diz: A minha alma tem sede de ti. Isso revela uma dimensão da vida espiritual que talvez tenhamos perdido. Davi não estava simplesmente precisando de algo que Deus possuía. Ele estava desejando o próprio Deus.
Existe uma diferença entre sentir necessidade de Deus e sentir desejo por Deus. Todos descobrimos nossa necessidade quando alguma coisa foge do controle. A enfermidade nos lembra que precisamos dEle. A insegurança nos lembra. A crise nos lembra. Mas o desejo vai além. Ele faz alguém procurar Deus mesmo quando nenhuma tragédia aconteceu. É exatamente essa fome que sustenta uma vida de oração depois que a emergência termina.
Nossa dificuldade de permanecer também pode revelar como treinamos nossa atenção. Vivemos cercados de conteúdos rápidos. Antes que uma coisa consiga nos entediar, passamos para outra. Se um vídeo demora, avançamos. Se uma informação não prende imediatamente nossa atenção, procuramos a próxima. Aos poucos, podemos transportar esse comportamento para o secreto e esperar que cada minuto de oração produza alguma sensação, revelação ou experiência diferente. Quando isso não acontece, concluímos que a oração não está funcionando.
Mas alguns dos relacionamentos mais profundos da vida possuem momentos em que simplesmente permanecemos. Nem toda conversa precisa ser extraordinária para ser valiosa. Da mesma maneira, nem todo encontro com Deus produzirá lágrimas, arrepios, respostas imediatas ou alguma experiência que possamos contar depois. Existem dias em que você abrirá a Bíblia, orará e sentirá profundamente a Presença de Deus. Em outros, fará as mesmas coisas e aparentemente nada acontecerá. Uma vida de oração amadurece quando aprendemos que Deus continua sendo digno da nossa busca mesmo quando nossas emoções permanecem em silêncio.
Também precisamos abandonar a ideia de que não saber o que dizer significa não saber orar. Jesus advertiu contra a multiplicação vazia de palavras. O valor da oração não está na quantidade de frases pronunciadas. Podemos ler um salmo lentamente e conversar com Deus sobre aquilo que lemos. Podemos agradecer. Podemos confessar. Podemos interceder por alguém. Podemos apresentar nossas preocupações. Podemos permanecer alguns instantes sem falar. A oração não precisa ser uma apresentação ininterrupta diante de Deus.
Talvez cinco minutos pareçam muito porque ainda estamos aprendendo a permanecer. Não há vergonha em começar pequeno. O problema seria aceitar essa dificuldade como permanente e nunca permitir que nossa comunhão cresça. Ninguém desenvolve resistência física realizando um único esforço extraordinário por ano. Existe constância, repetição e crescimento. Com a oração também existe aprendizado. Quanto mais conscientemente retornamos ao secreto, mais nossa mente e nosso coração aprendem que aquele lugar faz parte da nossa vida.
Pergunta Que Não Dá Para Ignorar
Por que algumas atividades conseguem prender minha atenção durante tanto tempo, enquanto permanecer alguns minutos exclusivamente diante de Deus exige de mim tamanho esforço? Minha dificuldade é realmente falta de tempo ou meu coração está revelando aquilo que aprendeu a desejar mais?
Atitude de Hoje
Hoje, quando entrar no seu período de oração, retire de perto aquilo que normalmente interrompe sua atenção. Não leve o celular, a menos que realmente precise dele para ler a Bíblia. Comece lendo lentamente o Salmo 63 e transforme as palavras de Davi em uma conversa pessoal com Deus. Não tenha pressa para terminar e não fique verificando quanto tempo já passou.
Se sua mente se distrair, não encerre a oração. Apenas reconheça a distração e volte. Faça isso quantas vezes forem necessárias. O exercício de hoje não consiste em provar que você consegue permanecer determinado número de minutos. Consiste em ensinar seu coração a não fugir imediatamente do secreto quando a oração deixa de ser fácil.
Palavra Para Guardar
O objetivo não é aprender a suportar mais alguns minutos diante de Deus. É voltar a ter tanta sede dEle que permanecer em Sua Presença deixe de parecer tempo demais.
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