Versículo
Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.
Colossenses 4:2
Confronto
Você diz que tem uma vida de oração, mas o que aconteceria se hoje Deus colocasse diante de você um registro exato de quanto tempo realmente tem passado em Sua Presença? Não estamos falando do tempo em que você pensa em Deus, escuta uma pregação enquanto realiza outra atividade, acompanha um culto ou lê rapidamente uma mensagem cristã. Estamos falando daquele tempo intencional em que você para porque decidiu estar com Deus. Talvez essa conta revele algo que você preferiria não enxergar. Anos de fé podem não significar anos de intimidade, e muito tempo dentro da igreja não significa necessariamente muito tempo no secreto.
Existe uma tendência perigosa de avaliarmos nossa vida espiritual pelo que sabemos, pelo que frequentamos e pelo que fazemos dentro do ambiente cristão. Podemos conhecer a Bíblia, servir em um ministério, aconselhar pessoas, compartilhar mensagens e falar de Deus diariamente, enquanto nossa vida pessoal de oração está quase vazia. É possível estar constantemente envolvido com as coisas de Deus e, ao mesmo tempo, estar negligenciando estar com Deus. Por isso, antes de avançarmos nesta série, precisamos abandonar qualquer tentativa de parecer espiritualmente melhores do que realmente somos e responder com sinceridade: quanto eu realmente oro?
Oração
Pai, hoje eu não quero medir minha vida espiritual pela imagem que outras pessoas têm de mim, pelo tempo que frequento uma igreja, pelo conhecimento bíblico que adquiri ou pelas atividades que realizo em Teu nome. Quero permitir que Tua luz alcance meu secreto. Tu sabes exatamente quanto tempo tenho passado Contigo, conheces minha constância e minha inconstância, sabes quantas vezes desejei orar e adiei, quantas vezes comecei e rapidamente me distraí, quantas vezes encontrei tempo para tantas coisas e deixei a oração para quando sobrasse algum espaço no meu dia.
Eu reconheço que muitas vezes tenho falado sobre a importância da oração mais do que tenho orado. Talvez eu tenha aconselhado outras pessoas a buscar-Te enquanto meu próprio lugar secreto permanecia abandonado. Talvez tenha pedido que outros intercedessem por situações pelas quais eu mesmo quase não orei. Talvez tenha aprendido a consumir mensagens, pregações e conteúdos cristãos e confundido isso com intimidade Contigo. Pai, eu não quero continuar me enganando. Conhecer coisas sobre Ti jamais poderá substituir conhecer-Te no secreto.
Confronta-me com amor e verdade. Mostra-me quanto das minhas justificativas realmente corresponde às minhas limitações e quanto delas apenas encobre prioridades desordenadas. Se tenho entregado horas às distrações e minutos à Tua Presença, ajuda-me a reconhecer isso sem tentar me defender. Se minha oração se tornou apenas uma reação aos problemas, ensina-me novamente a buscar-Te quando tudo está bem. Se somente encontro palavras quando preciso de alguma coisa, ensina-me a permanecer Contigo também para agradecer, adorar, ouvir e simplesmente desfrutar da comunhão com meu Pai.
Eu não quero terminar este primeiro confronto fazendo promessas emocionais que abandonarei em poucos dias. Quero começar uma mudança verdadeira. Ensina-me a construir constância, mesmo que comece pequeno. Dá-me disciplina para voltar amanhã, depois de amanhã e continuar voltando até que buscar-Te deixe de ser uma atividade ocasional e volte a fazer parte da maneira como vivo. Que minha resposta à pergunta quanto você realmente ora? comece a mudar não pelo que digo, mas pelo que passo a viver diante de Ti. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reflexão
Paulo não disse aos colossenses apenas que deveriam orar. Ele disse: Perseverai na oração. A palavra nos leva além de uma experiência ocasional. Perseverança pressupõe continuidade. Significa permanecer quando existe vontade e também quando não existe, quando as palavras fluem e quando parecem faltar, quando estamos atravessando uma crise e quando o dia parece absolutamente comum. Uma vida de oração não é construída apenas por grandes momentos espirituais. Ela nasce da decisão repetida de voltar à Presença de Deus.
Isso nos obriga a distinguir duas coisas que frequentemente confundimos: orar e ter uma vida de oração. Uma pessoa pode orar diante de uma necessidade e continuar sem possuir uma vida de oração. Pode passar uma noite inteira clamando diante de uma emergência e depois atravessar semanas quase sem buscar a Deus quando o problema desaparece. A intensidade de uma oração durante uma crise não substitui a constância de uma comunhão cultivada nos dias comuns.
Daniel nos ajuda a compreender essa diferença. Quando sua vida foi ameaçada, ele não descobriu repentinamente a oração. Daniel 6:10 registra que ele continuou orando como costumava fazer. Havia uma história anterior à cova. Existiam joelhos dobrados antes dos leões. Existia comunhão antes da emergência. Por isso, quando sua fé foi colocada à prova, Daniel não precisou inventar uma espiritualidade para sobreviver à crise. Ele permaneceu fazendo aquilo que já fazia.
Talvez hoje seja necessário reconhecer que temos esperado demais pelas covas para intensificar nossa busca por Deus. Quando tudo está bem, diminuímos a oração. Quando algo ameaça nossa segurança, imediatamente voltamos. Isso revela que, muitas vezes, não é Deus quem determina a intensidade da nossa vida de oração, são nossas necessidades. Buscamos porque precisamos que Ele faça alguma coisa, e depois que recebemos a resposta, lentamente voltamos à antiga distância.
O primeiro confronto desta série, portanto, não é sobre quantos minutos você deve orar amanhã. É sobre honestidade. Antes de reconstruir uma vida de oração, precisamos reconhecer o estado em que ela se encontra. Talvez você ore muito menos do que imaginava. Talvez tenha percebido que suas orações estão quase sempre ligadas a pedidos. Talvez tenha descoberto que seu secreto praticamente desapareceu. Não transforme essa descoberta em condenação. Transforme-a em um ponto de partida.
Pergunta Que Não Dá Para Ignorar
Se alguém observasse apenas minha vida secreta com Deus, sem considerar minha frequência à igreja, meu conhecimento bíblico, minhas palavras, minhas atividades ministeriais ou aquilo que demonstro publicamente, essa pessoa concluiria que eu realmente tenho uma vida de oração?
Atitude de Hoje
Hoje, não tente compensar anos de inconstância fazendo uma oração extremamente longa. Separe um período real e possível do seu dia, deixe o celular longe, interrompa aquilo que puder distraí-lo e fique a sós com Deus. Não use esse momento somente para apresentar pedidos. Confesse, agradeça, adore, converse sinceramente e permaneça diante dEle. Mais importante do que impressionar pela duração será cumprir a decisão de voltar.
Depois, escolha um horário possível para repetir esse encontro amanhã. O primeiro passo para reconstruir uma vida de oração não é estabelecer uma meta extraordinária, mas deixar de depender apenas da vontade momentânea. O secreto precisa voltar a ocupar um lugar real na sua rotina.
Palavra Para Guardar
Você não constrói uma vida de oração contando quanto orou ontem. Você a constrói decidindo que Deus não continuará recebendo apenas as sobras do seu hoje.
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