Versículo
Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.
Salmos 37:5
Oração
Pai, chego ao último dia desta série reconhecendo que comecei estes 14 dias desejando compreender melhor a minha história, mas hoje percebo que talvez a maior necessidade do meu coração não seja compreender tudo, e sim aprender a confiar em Ti mesmo quando algumas respostas permanecem abertas. Existem capítulos que ainda não sei como terminarão, situações que continuam sem solução, orações cuja resposta ainda espero e áreas da minha vida sobre as quais gostaria de receber alguma garantia. Minha tendência é tentar imaginar todos os desfechos possíveis, preparar-me para cada um deles e encontrar alguma maneira de diminuir a insegurança. Mas hoje eu reconheço que o futuro nunca esteve em minhas mãos. Eu posso planejar meus próximos passos, porém não consigo controlar tudo aquilo que acontecerá depois deles.
Senhor, durante estes dias olhei para páginas fora do lugar, períodos de silêncio, perdas, desvios, planos desmoronados, esperas, desertos, feridas, decisões difíceis e recomeços. Percebi que existem acontecimentos que não escolhi e outros dos quais participei por meio das minhas próprias decisões. Reconheci que algumas coisas podem ser corrigidas, enquanto outras precisam ser aceitas. Existem portas pelas quais ainda posso bater, mas existem outras diante das quais preciso parar de permanecer. Existem perguntas que talvez recebam resposta e outras que talvez eu precise carregar sem explicação completa. Em todas essas situações, ensina-me a não fazer da compreensão uma condição para continuar confiando.
Pai, entrego a Ti o final das histórias que ainda tento escrever antecipadamente. Entrego o futuro da minha família, meus relacionamentos, meus projetos, minha vida financeira, minhas decisões e todos os desejos que carrego no coração. Tu sabes como eu gostaria que algumas dessas histórias terminassem. Conheces os resultados pelos quais oro e os acontecimentos que temo. Não quero esconder meus desejos de Ti, porque Tu já os conheces. Quero apresentá-los com sinceridade, mas também com as mãos abertas, reconhecendo que Tua fidelidade não pode ser medida pela realização exata daquilo que imaginei.
Senhor, livra-me de transformar fé em uma tentativa de controlar o desfecho. Não quero acreditar que, se eu orar da maneira certa, repetir determinadas palavras ou demonstrar fé suficiente, conseguirei obrigar a história a terminar como desejo. A oração não foi dada para colocar o futuro sob meu domínio, mas para colocar meu coração diante de Ti. Ensina-me a pedir com confiança e, ao mesmo tempo, permanecer submissa. Dá-me coragem para dizer o que desejo e maturidade para acrescentar: Seja feita a Tua vontade.
Pai, também entrego a Ti aquilo que ainda me assusta. Existem finais que minha mente cria antes do tempo e que talvez nunca aconteçam. Sofro antecipadamente por perdas que ainda não ocorreram, imagino conversas que nunca existiram, construo cenários e depois reajo emocionalmente a eles como se fossem realidade. Guarda minha mente desse sofrimento antecipado. Quando eu tentar viver amanhã antes de terminar hoje, traz-me novamente ao presente. Dá-me graça para enfrentar cada dia quando ele chegar, em vez de carregar hoje o peso de todos os dias futuros.
Senhor, se algum capítulo terminar de maneira diferente daquela que espero, não permitas que minha fé termine juntamente com ele. Se uma oração receber uma resposta diferente daquela que desejo, sustenta-me. Se um plano precisar ser abandonado, permanece sendo minha segurança. Se uma perda ainda acontecer, sê meu consolo. Se uma porta se abrir, guarda-me do orgulho. Se aquilo que espero finalmente chegar, não permitas que a bênção ocupe o lugar daquele que a concedeu. Quero aprender a viver tanto na abundância quanto na escassez, na resposta quanto na espera, no começo quanto no encerramento, sabendo que nenhuma dessas circunstâncias altera quem Tu és.
Hoje eu Te entrego minha história sem exigir que me mostres o último capítulo. Não sei tudo o que ainda viverei, mas sei que quero continuar caminhando contigo. Corrige-me quando eu errar, levanta-me quando eu cair, consola-me quando eu perder, confronta-me quando eu me desviar e dá-me coragem quando chegar o momento de começar novamente. Que os próximos capítulos não sejam governados pelo medo de repetir o passado nem pela obsessão de controlar o futuro. Quero viver com responsabilidade aquilo que colocares diante de mim e deixar contigo aquilo que meus olhos ainda não conseguem alcançar.
Pai, minha história não está segura porque eu finalmente aprendi a controlar todas as variáveis. Ela está segura porque minha vida pertence a Ti. Talvez eu ainda tenha muitas perguntas depois destes 14 dias, mas não quero sair daqui apenas com respostas. Quero sair com uma confiança mais profunda. Quando eu não souber o que virá, lembra-me de quem irá comigo. Quando eu não conseguir entender a página, lembra-me de que Tu continuas enxergando além dela. E quando eu sentir novamente que tudo está escapando das minhas mãos, ensina-me a abrir essas mãos e entregar a Ti aquilo que nunca esteve sob meu domínio. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Decreto
Eu declaro que não preciso conhecer o final da minha história para continuar confiando em Deus. Entrego ao Senhor aquilo que já passou, vivo com responsabilidade o capítulo presente e recuso-me a tentar controlar antecipadamente aquilo que ainda não aconteceu. Não transformarei meus desejos em garantias que Deus nunca prometeu, não permitirei que o medo escreva finais antes do tempo e não farei da resposta que espero a condição para permanecer fiel. Se precisar esperar, esperarei. Se precisar mudar, mudarei. Se precisar recomeçar, recomeçarei. Se precisar aceitar algo que não posso modificar, pedirei graça para aceitar. Minha confiança não está em um final exatamente como imaginei, mas no Deus que permanecerá comigo independentemente de como cada capítulo se apresentar.
Reflexão
Talvez uma das maiores dificuldades humanas seja aceitar que não conhecemos o final. Quando começamos um livro, podemos avançar algumas páginas e descobrir como tudo termina. Na vida, isso não é possível. Precisamos viver cada capítulo sem acesso antecipado ao próximo. Fazemos planos sem saber exatamente quais circunstâncias surgirão, construímos relacionamentos sem possuir garantias sobre tudo o que acontecerá, tomamos decisões com informações limitadas e fazemos orações sem conhecer antecipadamente a resposta de Deus. Essa falta de controle pode produzir uma ansiedade profunda.
É por isso que Salmos 37:5 é tão significativo. Davi não diz: Descubra todo o seu caminho e depois apresente-o a Deus. Ele diz: Entrega o teu caminho ao SENHOR. A palavra entrega pressupõe justamente abrir mão daquilo que tentamos segurar. Entretanto, essa entrega não significa irresponsabilidade. O mesmo salmo apresenta uma vida de confiança, prática do bem, fidelidade e descanso no Senhor. Entregar não significa cruzar os braços. Significa agir sem tentar ocupar o lugar de Deus.
Jesus demonstrou isso de maneira extraordinária no Getsêmani. Diante da cruz, Ele não apresentou uma oração fria ou emocionalmente distante. Disse: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Havia um desejo claramente expresso. Logo depois, porém, veio a entrega: Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. Essa oração revela que submissão não exige ausência de desejo. Podemos querer profundamente determinada coisa e ainda assim entregá-la ao Pai.
Essa talvez seja uma das formas mais maduras de fé: mãos abertas. Mãos abertas podem receber, mas também conseguem soltar. Muitas vezes queremos apenas a primeira parte. Pedimos a Deus que coloque em nossas mãos pessoas, oportunidades, respostas e realizações, mas temos dificuldade quando confiar significa abrir as mãos e dizer: Eu desejo isso, Senhor, mas não quero transformar este desejo em meu senhor.
Ao longo destes 14 dias, vimos que confiar na soberania de Deus não significa atribuir diretamente a Ele tudo aquilo que acontece. Pessoas fazem escolhas, nós cometemos erros, vivemos em um mundo quebrado e enfrentamos acontecimentos dolorosos. Dizer que Deus não perdeu o controle da nossa história não significa afirmar que Ele escreveu cada sofrimento como alguém que determina cada detalhe do mal. Significa reconhecer que nenhuma circunstância consegue tornar Deus impotente, nenhuma página impede Sua graça de continuar atuando e nenhuma situação retira nossa vida do alcance da Sua presença.
Também aprendemos que a soberania de Deus não elimina nossa responsabilidade. Há capítulos nos quais precisamos esperar, mas há outros nos quais precisamos agir. Há situações que devem ser entregues, mas outras precisam ser confrontadas. Há feridas que precisam de tempo, mas algumas precisam também de ajuda. Há erros que precisam ser perdoados, mas antes precisam ser reconhecidos. Há planos que precisam ser abandonados e outros que precisam apenas ser reorganizados. Confiar em Deus não nos transforma em espectadoras da própria história. Torna-nos participantes que reconhecem que não são autoras soberanas dela.
Talvez você tenha começado esta série esperando que, ao final, alguma situação específica estivesse resolvida. Talvez nada tenha mudado externamente. A mesma oração continua diante de Deus, a mesma decisão ainda precisa ser tomada ou a mesma espera permanece. Isso não significa que estes dias foram inúteis. Uma das mudanças mais profundas pode acontecer quando a circunstância permanece igual, mas já não possui o mesmo poder sobre nosso coração.
Talvez você ainda não saiba o que acontecerá, mas já percebe que não precisa saber tudo para continuar. Talvez ainda exista dor, mas ela já não define toda a sua identidade. Talvez a porta continue fechada, mas você começou a olhar ao redor. Talvez o passado continue sendo o mesmo, mas você já não deseja passar o futuro inteiro tentando mudá-lo. Talvez o deserto ainda não tenha terminado, mas você começou a perceber o maná de hoje. Essas mudanças também fazem parte da história.
Chegamos ao último dia sem receber o direito de ler antecipadamente o final. E talvez essa seja justamente a conclusão necessária. Deus não nos chama para confiar porque conhecemos o último capítulo. Ele nos chama para confiar porque conhecemos, ainda que de maneira limitada, o Seu caráter. Nossa esperança não está na certeza de que tudo terminará como desejamos. Está na certeza de que, em qualquer capítulo, podemos continuar pertencendo a Ele.
Desafio do Dia
Pegue uma folha e escreva no alto: O final que tenho tentado controlar. Abaixo, registre uma situação cuja conclusão ocupa excessivamente seus pensamentos. Escreva com sinceridade qual resultado você deseja e qual resultado você teme. Depois escreva: O que me cabe hoje? Identifique apenas as responsabilidades que pertencem ao presente. Ore entregando a Deus o resultado e escolha concentrar sua energia naquilo que realmente pode fazer agora. Guarde essa folha como lembrança de que entregar o final não significa abandonar a história, mas deixar de tentar controlar aquilo que ainda não lhe pertence.
Palavra de Esperança
Talvez você tenha chegado ao fim destes 14 dias sem conhecer o final de algumas das histórias que trouxe para o primeiro dia. Isso não é fracasso. Você nunca precisou conhecer todos os capítulos para continuar caminhando. Há uma liberdade profunda quando percebemos que nossa responsabilidade é viver com fidelidade a página que temos nas mãos e confiar a Deus aquelas que ainda não recebemos. Quando outra vez tudo parecer fora do lugar, quando o silêncio voltar, quando um plano mudar ou quando você não souber qual será o próximo passo, lembre-se da verdade que sustentou esta série inteira: você pode não saber como sua história terminará, mas Deus não perdeu o controle dela.
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Deus não perdeu o controle da sua história – Conclusão
Deus não perdeu o controle de sua história – Indice
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