Deus não perdeu o controle da sua história – Conclusão

Talvez você tenha começado estes 14 dias carregando uma pergunta que não conseguia colocar em palavras. Talvez olhasse para sua história e se perguntasse em que momento as coisas tomaram um rumo tão diferente daquele que havia imaginado. Alguns planos não aconteceram. Algumas pessoas foram embora. Algumas respostas demoraram mais do que você esperava. Houve decisões das quais você se arrependeu, situações que não conseguiu evitar, períodos em que Deus pareceu silencioso e capítulos que terminaram antes que você estivesse preparada para se despedir deles. Talvez, em algum momento, você tenha pensado que sua história havia escapado das suas mãos e, silenciosamente, começado a temer que também tivesse escapado das mãos de Deus.

Ao longo destes dias, porém, fomos aprendendo uma verdade importante: confiar que Deus não perdeu o controle não significa acreditar que Ele causou tudo aquilo que aconteceu. Nem toda dor foi enviada por Deus. Nem toda perda foi planejada por Ele. Existem consequências de escolhas humanas, injustiças que jamais deveriam ter acontecido, pecados que ferem profundamente, acidentes, enfermidades, abandonos, decisões equivocadas e circunstâncias próprias de um mundo marcado pela fragilidade. A soberania de Deus não transforma o mal em bem nem exige que chamemos de bênção aquilo que nos feriu. Ela nos oferece uma esperança muito mais profunda: mesmo quando o mal acontece, Deus continua sendo Deus, e aquilo que aconteceu não recebe automaticamente autoridade para determinar tudo aquilo que ainda poderá acontecer.

José compreendeu isso depois de muitos anos. Quando olhou para os irmãos que o haviam vendido, não chamou a atitude deles de boa. Disse claramente: Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem. Havia maldade na intenção dos irmãos e havia graça na maneira como Deus continuou conduzindo a história. As duas coisas podiam ser reconhecidas sem confusão. O mal continuava sendo mal, mas não conseguiu tornar-se soberano. Talvez essa seja uma das verdades mais importantes para guardar depois desta série: aquilo que feriu você pode ter sido poderoso, mas não precisa tornar-se senhor da sua história.

Também aprendemos que não podemos interpretar uma história inteira a partir de um único capítulo. Houve momentos em que José poderia ter acreditado que a cisterna era o fim. Depois poderia ter pensado que a escravidão seria sua vida definitiva. Quando as circunstâncias começaram a melhorar na casa de Potifar, uma acusação injusta o levou à prisão. Cada capítulo, se observado isoladamente, poderia produzir uma conclusão diferente sobre sua história. Somente depois conseguimos perceber que nenhum deles possuía informações suficientes para explicar o todo. Nós também cometemos esse erro quando transformamos o momento presente em profecia sobre o restante da vida. Dizemos sempre será assim, nunca mais conseguirei, acabou para mim, quando, na verdade, estamos tentando escrever o final a partir de uma página que ainda está sendo vivida.

Durante estes 14 dias, também fomos convidados a olhar para nossa própria responsabilidade. Nem tudo aquilo que precisa mudar depende de uma intervenção extraordinária de Deus. Existem decisões que precisamos tomar, conversas que precisam acontecer, limites que precisam ser estabelecidos, hábitos que precisam ser abandonados, pedidos de perdão que precisam ser feitos e caminhos que precisam ser corrigidos. Confiar na soberania de Deus nunca foi uma desculpa para a passividade. Há momentos em que fé significa esperar, mas há outros em que fé significa levantar-se e fazer aquilo que já sabemos que precisa ser feito.

Talvez uma das maiores mudanças que esta série possa produzir seja justamente esta: parar de gastar toda a energia tentando modificar capítulos que já terminaram e começar a viver com fidelidade aquele que está aberto diante de você. O passado merece ser reconhecido, tratado e, quando necessário, lamentado. Existem perdas que precisam de luto, feridas que precisam de cuidado e erros que precisam de arrependimento. Mas existe uma diferença entre visitar o passado para tratá-lo e estabelecer residência nele. Você pode aprender com aquilo que aconteceu sem continuar vivendo emocionalmente no momento em que aconteceu.

Talvez você ainda carregue cicatrizes quando terminar esta leitura. Isso não significa que Deus falhou com você. Algumas curas acontecem lentamente. Algumas lembranças não desaparecerão. Algumas consequências continuarão fazendo parte da vida. A esperança cristã não depende de apagar a história anterior, mas de permitir que ela deixe de controlar a história seguinte. Uma cicatriz não afirma que nunca houve uma ferida. Ela testemunha que a ferida já não permanece aberta da mesma maneira.

Também não sabemos quais desejos serão realizados. Talvez algumas das orações que você apresentou durante estes dias recebam respostas exatamente como espera. Outras poderão receber respostas diferentes. Algumas talvez permaneçam por muito tempo diante de Deus. Não transforme a demora em abandono e não transforme seu desejo em uma promessa que Deus nunca fez. Você pode desejar profundamente algo, pedir com perseverança e continuar confiando mesmo sem possuir garantia sobre o resultado. Fé não é a certeza de que Deus fará exatamente aquilo que esperamos. Fé é permanecer confiando em quem Deus é mesmo quando ainda não sabemos aquilo que Ele fará.

Talvez você tenha percebido também que Deus estava presente em lugares onde, na época, você acreditava estar sozinha. Não porque tudo o que aconteceu tenha sido vontade Dele, mas porque Sua Presença não depende da perfeição das circunstâncias. Ele pode encontrar-nos na prisão como encontrou José, no deserto como sustentou Israel, na amargura como acompanhou Noemi, na fuga como confrontou Jonas, no fracasso como restaurou Pedro e na incerteza como conduziu Abraão. A Bíblia não é uma coleção de histórias de pessoas cuja vida aconteceu exatamente como planejaram. É o testemunho de um Deus que permaneceu fiel no meio de histórias profundamente humanas, quebradas, inesperadas e, muitas vezes, difíceis de compreender.

Agora você chega ao final desta série, mas não ao final da sua história. Amanhã haverá outra página. Talvez exteriormente muita coisa continue igual. A mesma casa, o mesmo trabalho, a mesma espera, a mesma pergunta, talvez até a mesma dor. Mas alguma coisa pode estar diferente dentro de você. Talvez agora consiga distinguir aquilo que precisa controlar daquilo que precisa entregar. Talvez tenha percebido que um atraso não significa necessariamente esquecimento, que o silêncio não significa ausência, que uma ferida não precisa escrever seu futuro, que um deserto não precisa se transformar em endereço permanente e que um final doloroso não possui autoridade para decretar que nada mais poderá começar.

Você não precisa sair destes 14 dias dizendo: Agora compreendo minha história. Talvez a frase mais verdadeira seja outra: Ainda existem coisas que não compreendo, mas não preciso compreender tudo para continuar confiando. Existe uma enorme diferença entre essas duas posições. A primeira exige respostas. A segunda encontrou um lugar de descanso. Não um descanso que elimina perguntas, mas aquele que permite continuar vivendo mesmo enquanto algumas delas permanecem abertas.

Quando novamente surgir um capítulo difícil, volte a esta verdade. Quando aquilo que você planejou mudar inesperadamente, volte a esta verdade. Quando alguma oração parecer demorar, volte a esta verdade. Quando o medo tentar convencê-la de que tudo está perdido, volte a esta verdade. Quando você cometer um erro e pensar que destruiu definitivamente seu futuro, volte a esta verdade. Quando uma perda fizer parecer que nada mais possui sentido, volte a esta verdade. Quando não conseguir enxergar além da página que está vivendo, volte a esta verdade:

Deus não perdeu o controle da sua história.

Oração de Encerramento

Pai, chegamos ao final destes 14 dias trazendo diante de Ti uma história que ainda não terminou. Talvez algumas perguntas que estavam presentes no primeiro dia continuem conosco. Talvez algumas circunstâncias não tenham mudado e existam respostas que ainda não chegaram. Mas hoje não queremos colocar diante de Ti apenas nossos problemas. Queremos colocar nossa confiança. Depois de olhar para tantas páginas da Tua Palavra e perceber como permaneceste presente em histórias marcadas por perdas, esperas, erros, desertos, recomeços e acontecimentos inesperados, queremos pedir que nos ensines a reconhecer Tua fidelidade também no meio da nossa própria história.

Senhor, entregamos a Ti aquilo que passou. Não podemos retornar para corrigir determinadas escolhas, impedir algumas perdas ou dizer palavras diferentes nas conversas que já aconteceram. Não podemos recuperar todos os anos nem reconstruir exatamente tudo aquilo que um dia existiu. Por isso, dá-nos graça para parar de lutar contra aquilo que não pode mais ser alterado. Onde houver pecado nosso, conduz-nos ao arrependimento e à reparação possível. Onde fomos feridas, conduz-nos à cura. Onde permanecemos presas à culpa, lembra-nos da Tua graça. Onde a amargura criou raízes, ajuda-nos a perdoar sem negar a verdade e sem abandonar os limites que ainda sejam necessários.

Entregamos também o presente. Mostra-nos aquilo que está diante de nossas mãos hoje. Não permitas que passemos a vida inteira olhando para trás ou tentando viver antecipadamente o amanhã. Dá-nos coragem para assumir responsabilidades, sabedoria para tomar decisões, humildade para pedir ajuda, discernimento para estabelecer limites e perseverança para continuar fazendo aquilo que é correto mesmo quando os resultados ainda não aparecem. Que nossa confiança em Ti nunca seja desculpa para a passividade, mas também que nossa responsabilidade nunca se transforme na ilusão de que precisamos controlar tudo.

Pai, entregamos especialmente o futuro. Entregamos aquilo que desejamos e aquilo que tememos. Entregamos nossos relacionamentos, família, projetos, recursos, sonhos, decisões e todas as áreas sobre as quais ainda existem incertezas. Não sabemos quais portas permanecerão abertas, quais caminhos precisarão mudar nem quais respostas receberemos. Mas pedimos que nos livres de construir nossa segurança em resultados específicos. Queremos aprender a desejar sem exigir, pedir sem manipular, planejar sem idolatrar nossos planos e esperar sem interromper a vida.

Quando vierem novos desertos, sustenta-nos. Quando houver silêncio, guarda nosso coração de interpretar Tua aparente demora como abandono. Quando os planos precisarem mudar, dá-nos flexibilidade. Quando alguma coisa terminar, não permitas que declaremos encerrada toda possibilidade de futuro. Quando formos feridas, ajuda-nos a tratar a ferida antes que ela se transforme em identidade. Quando errarmos, conduz-nos ao arrependimento sem permitir que a condenação nos paralise. Quando não soubermos o próximo passo, dá-nos luz suficiente para caminhar naquilo que já está claro.

Senhor, não pedimos uma história sem lágrimas, porque sabemos que essa promessa não nos foi feita nesta vida. Não pedimos que tudo aconteça exatamente como desejamos. Pedimos algo mais profundo: que nenhuma circunstância consiga nos afastar de Ti. Que na alegria continuemos dependentes, que na escassez permaneçamos fiéis, que nas respostas sejamos agradecidas e que nas perguntas continuemos confiando. Que nossa fé não seja sustentada apenas pelo que recebemos das Tuas mãos, mas pelo conhecimento crescente de quem Tu és.

E quando novamente olharmos para nossa vida e tivermos a sensação de que tudo está fora do lugar, lembra-nos de que uma página confusa não significa uma história abandonada. Quando não conseguirmos enxergar o que estás fazendo, ensina-nos a permanecer. Quando não houver respostas suficientes, sustenta-nos com aquilo que já sabemos sobre Ti. E quando tentarmos tomar novamente em nossas mãos aquilo que nunca conseguimos controlar, lembra-nos de abrir as mãos.

Nossa história está diante de Ti. O passado, nós Te entregamos. O presente, queremos viver contigo. O futuro, colocamos em Tuas mãos. Não sabemos como todos os capítulos terminarão, mas queremos permanecer fiéis enquanto eles forem escritos. E, até o dia em que todas as perguntas finalmente encontrarem resposta diante da Tua Presença, guarda em nosso coração esta certeza: mesmo quando não compreendemos a história, podemos continuar confiando no Autor.  Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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