Versículo
“Eu amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas.”
Salmos 116:1
Oração
Pai, hoje queremos colocar diante de Ti as vezes em que sentimos que nossa voz não tinha importância. Talvez tenhamos tentado conversar com nosso pai sobre aquilo que sentíamos e encontramos silêncio, impaciência ou falta de interesse. Talvez ele estivesse ocupado demais, cansado demais ou envolvido em problemas que desconhecíamos, e pouco espaço tenha existido para nossas perguntas, medos, sonhos e sentimentos. Em algumas histórias, aprendemos que falar poderia provocar conflitos e, por isso, escolhemos o silêncio. Em outras, tentamos muitas vezes explicar o que estava acontecendo, mas tivemos a sensação de que ninguém realmente compreendia. Aos poucos, podemos ter aprendido a guardar tudo dentro de nós, a resolver nossos problemas sozinhos e a acreditar que aquilo que sentimos não merece ocupar o tempo de ninguém. Tu conheces cada palavra que ficou presa em nosso coração e cada conversa que gostaríamos de ter tido. Hoje trazemos diante de Ti não somente aquilo que conseguimos dizer, mas também tudo aquilo para o qual ainda não encontramos palavras.
Senhor, mostra-nos como essas experiências podem ter alcançado também nossa maneira de orar. Talvez tenhamos aprendido a apresentar diante de Ti apenas aquilo que consideramos importante, como se alguns sentimentos fossem pequenos demais para receber Tua atenção. Talvez façamos orações rápidas e formais porque ainda não aprendemos a conversar contigo com liberdade. Em outros momentos, podemos ter parado de falar sobre determinados assuntos porque pedimos algo, não recebemos a resposta que esperávamos e concluímos que não estavas nos ouvindo. Ensina-nos que ouvir não significa necessariamente responder da maneira que desejamos. Tu podes ouvir perfeitamente nossa oração e, ainda assim, responder de maneira diferente, conduzir-nos por outro caminho ou permitir que esperemos. Não queremos medir Tua atenção pela rapidez das respostas nem interpretar Teu silêncio como indiferença. Queremos conhecer um Pai diante de quem podemos abrir o coração mesmo quando ainda não compreendemos o que Ele fará.
Pai, ensina-nos a conversar contigo sem máscaras. Queremos falar sobre aquilo que nos alegra e também sobre aquilo que nos assusta, sobre nossa fé e nossas dúvidas, sobre gratidão e frustração, sobre aquilo que compreendemos e aquilo que ainda não conseguimos aceitar. Tu já conheces tudo antes que pronunciemos uma palavra, mas ainda assim nos convidas a orar. Isso nos mostra que oração não existe para informar a Ti aquilo que desconheces, mas para nos relacionarmos contigo. Livra-nos da ideia de que precisamos encontrar palavras perfeitas para sermos ouvidos. Há momentos em que teremos muito a dizer e outros em que talvez consigamos apenas permanecer em silêncio diante de Ti. Que em ambos saibamos que estamos diante de um Pai atento, que não se irrita com nossa necessidade de falar e não considera nossas lágrimas uma interrupção.
Senhor, que a experiência de sermos ouvidos por Ti transforme também nossa maneira de ouvir. Se sofremos porque ninguém prestava atenção ao que dizíamos, não permitas que repitamos essa ausência na vida daqueles que estão ao nosso redor. Ensina-nos a interromper um pouco nossas próprias preocupações para perceber quando alguém precisa conversar. Dá-nos paciência para ouvir sem preparar imediatamente uma resposta, sabedoria para não diminuir a dor de outra pessoa e discernimento para compreender quando alguém precisa de conselho e quando precisa simplesmente de presença. Que nossas casas e relacionamentos sejam lugares em que as pessoas tenham liberdade para falar sem medo de serem ridicularizadas ou ignoradas. Cura nossa voz, cura nossa escuta e estabelece dentro de nós a segurança de saber que nenhuma oração sincera se perde diante de Ti. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Decreto
Eu declaro que minha voz possui lugar diante de Deus. Não preciso permanecer em silêncio por acreditar que meus sentimentos são insignificantes, que minhas perguntas incomodam ou que meus problemas são pequenos demais para serem apresentados ao Pai. Posso falar com sinceridade, abrir meu coração e apresentar minhas necessidades sem procurar palavras perfeitas. Deus conhece aquilo que consigo explicar e também compreende aquilo que ainda não consigo colocar em palavras. Quando Sua resposta não vier no tempo ou da maneira que desejo, não concluirei automaticamente que Ele deixou de me ouvir. Permanecerei confiando que Sua atenção não depende daquilo que sinto e que Seu silêncio não significa indiferença.
Eu declaro que aquilo que vivi não determinará para sempre minha capacidade de me comunicar. Não preciso guardar tudo dentro de mim nem esperar que as pessoas descubram sozinhas aquilo que estou sentindo. Posso aprender a expressar minhas necessidades com maturidade, procurar ajuda quando necessário e permitir que pessoas confiáveis conheçam partes verdadeiras da minha história. Também escolho tornar-me alguém que sabe ouvir. Não repetirei deliberadamente a indiferença que talvez tenha experimentado. Quero que minha maneira de escutar reflita um pouco do cuidado que estou aprendendo a encontrar no Pai. Sou ouvido por Deus e essa certeza me dá liberdade para falar, esperar e também oferecer atenção à voz daqueles que caminham comigo.
Reflexão
Quando uma criança tenta repetidamente falar e percebe que ninguém está realmente interessado em ouvi-la, ela pode aprender uma mensagem que nunca foi pronunciada diretamente: “Aquilo que você sente não é importante.” Com o passar dos anos, essa conclusão pode aparecer de diferentes maneiras. Algumas pessoas falam muito porque procuram desesperadamente alguém que finalmente as escute; outras praticamente deixam de falar sobre si mesmas porque se acostumaram a pensar que ninguém terá interesse. Há também quem tenha dificuldade para pedir ajuda porque acredita que suas necessidades incomodarão os outros. Essas respostas não surgem necessariamente de um único acontecimento, mas podem ser construídas por pequenas experiências repetidas de não se sentir ouvido.
O salmista apresenta uma experiência diferente ao dizer que ama o Senhor porque Ele ouve sua voz e suas súplicas. Isso não significa que todas as orações do salmista receberam imediatamente a resposta desejada. Os próprios Salmos registram esperas, perguntas, lamentos e períodos de profundo sofrimento. Ser ouvido por Deus não é o mesmo que controlar Sua resposta. Essa distinção pode ser libertadora para quem associa atenção com satisfação imediata de seus desejos. O Pai nos ouve e continua sendo Pai quando responde sim, quando responde não e quando precisamos esperar. Podemos falar porque existe relacionamento, não porque nossas palavras funcionam como um mecanismo para obrigar Deus a fazer aquilo que queremos. Quando compreendemos isso, a oração deixa de ser apenas uma lista de pedidos e começa a se tornar um lugar de encontro, onde aprendemos a falar com sinceridade e também a permanecer diante de Deus quando ainda não temos respostas.
Desafio do Dia
Separe alguns minutos para conversar com Deus sobre algo que você normalmente evita mencionar em suas orações. Não tente organizar o assunto nem encontrar palavras religiosas. Fale com sinceridade sobre aquilo que sente, pensa ou teme. Depois, permaneça alguns instantes em silêncio, lembrando que oração também é relacionamento e presença. Durante o dia, procure ainda oferecer atenção verdadeira a alguém, ouvindo sem interromper e sem transformar imediatamente a conversa em uma experiência sobre você.
Palavra de Esperança
Talvez sua voz tenha sido ignorada em momentos importantes da sua história, mas ela não é ignorada pelo Pai. Você pode falar, chorar, perguntar e até permanecer em silêncio diante dEle. Deus conhece sua voz e nenhuma oração sincera passa despercebida diante de Sua Presença.
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Deus, ensina-me a te chamar de Pai
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