Sendo o Pai que Faltou (028)

Versículo
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor.”
Efésios 5:1 e 2

Oração
Pai, depois de olharmos para tantas partes da nossa história, hoje queremos transformar aquilo que aprendemos em uma nova maneira de viver. Talvez durante muitos anos tenhamos pensado sobre o pai que gostaríamos de ter tido, as palavras que desejávamos ouvir, o abraço que esperamos, a presença que nos fez falta, a proteção de que necessitávamos ou a aprovação que procuramos. Não podemos voltar ao passado e receber novamente aquilo que faltou naquele tempo, mas podemos permitir que Tu transformes nossa dor em consciência para o presente. Aquilo que sentimos falta pode nos ensinar a perceber necessidades que antes passariam despercebidas. Aquilo que nos feriu pode tornar-nos mais atentos à maneira como nossas palavras e atitudes alcançam outras pessoas. Não queremos viver presos à pergunta sobre por que não recebemos determinadas coisas. Queremos também perguntar o que podemos oferecer, pela Tua graça, a partir de agora.

Senhor, ensina-nos a oferecer presença. Talvez uma das maiores ausências da nossa história tenha sido ter alguém fisicamente perto, mas emocionalmente distante, ou simplesmente não ter essa pessoa conosco quando precisávamos. Não queremos reproduzir essa ausência com aqueles que fazem parte da nossa vida. Ensina-nos a ouvir sem olhar constantemente para outra coisa, a perceber quando alguém precisa conversar, a interromper nossas ocupações quando um momento realmente importante exige nossa atenção e a compreender que presença não se mede apenas pela quantidade de horas compartilhadas, mas pela qualidade do encontro. Ao mesmo tempo, livra-nos da culpa de imaginar que precisamos estar disponíveis o tempo inteiro. Somos limitados, temos responsabilidades e também precisamos descansar. Dá-nos equilíbrio para sermos presentes sem tentar ser indispensáveis.

Pai, ensina-nos também a oferecer através das nossas palavras aquilo que talvez tenhamos esperado durante anos. Que não economizemos reconhecimento, afeto e encorajamento por acreditar que as pessoas deveriam simplesmente saber o que sentimos. Coloca em nossa boca palavras capazes de comunicar amor, gratidão e valorização. Ensina-nos a dizer “eu amo você”, “tenho orgulho de você”, “obrigado”, “perdoe-me”, “estou aqui” e tantas outras palavras simples que podem se tornar memórias importantes no coração de alguém. Quando precisarmos corrigir, que não ataquemos a identidade. Quando estivermos frustrados, que não transformemos nossa irritação em palavras que alguém carregará durante décadas. E quando falharmos, porque falharemos, dá-nos humildade para voltar, reconhecer aquilo que fizemos e reparar o que estiver ao nosso alcance.

Senhor, queremos refletir a Tua paternidade sem tentar ocupar o Teu lugar. Não conseguiremos preencher todas as necessidades de nossos filhos, familiares ou pessoas que amamos. Não seremos capazes de protegê-los de toda dor, evitar todos os erros ou oferecer sempre a resposta perfeita. Liberta-nos dessa expectativa. O objetivo não é nos tornarmos o pai perfeito que não tivemos, mas pessoas transformadas que apontam para o Pai perfeito que todos nós precisamos. Que nossa vida mostre que é possível reconhecer erros, mudar padrões, pedir perdão e crescer. Se não temos filhos, mostra-nos que ainda podemos transmitir cuidado, presença, sabedoria e encorajamento às pessoas que colocaste em nosso caminho. Que a falta que um dia conhecemos não produza apenas tristeza, mas também sensibilidade. Transforma aquilo que nos feriu em uma oportunidade de amar com mais consciência e de construir relações diferentes. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Decreto
Eu declaro que aquilo que me faltou não precisa continuar faltando através de mim. Se conheci ausência, posso aprender presença. Se me faltaram palavras de afirmação, posso desenvolver uma linguagem de encorajamento. Se tive dificuldade para ser ouvido, posso aprender a escutar. Se fui corrigido através da humilhação, posso aprender a corrigir com firmeza e respeito. Não utilizarei minha história como justificativa para repetir aquilo que me feriu. Também não exigirei de mim perfeição para provar que sou diferente. Estou em processo de transformação e permitirei que Deus use até mesmo a consciência das minhas feridas para ensinar-me uma maneira mais saudável de amar.

Eu declaro que não tentarei ocupar na vida de ninguém o lugar que pertence somente a Deus. Não posso proteger as pessoas de todo sofrimento, satisfazer todas as suas necessidades nem impedir que enfrentem suas próprias escolhas. Posso, porém, estar presente, amar, ensinar, estabelecer limites, reconhecer meus erros e apontar para o Pai celestial. Se eu falhar, não esconderei meu erro atrás da autoridade, do orgulho ou da vergonha. Buscarei reparar aquilo que estiver ao meu alcance e continuarei aprendendo. Não preciso repetir minha história nem construir uma história perfeita. Pela graça de Deus, posso construir uma história diferente.

Reflexão
Existe uma mudança importante quando deixamos de olhar apenas para aquilo que nosso pai deveria ter feito e começamos a observar aquilo que nós fazemos com as pessoas que Deus colocou perto de nós. Essa mudança não absolve ninguém dos erros do passado. Ela apenas impede que nossa vida fique permanentemente organizada ao redor deles. Algumas das necessidades que conhecemos profundamente podem tornar-se áreas nas quais desenvolvemos grande sensibilidade. Quem sentiu falta de ser ouvido pode aprender o valor da escuta. Quem sofreu com palavras pode compreender a importância da linguagem. Quem experimentou ausência pode descobrir o poder de simplesmente permanecer. A ferida não precisa ser romantizada para que dela possa nascer aprendizado.

Efésios nos chama a imitar Deus como filhos amados. A ordem é importante. Primeiro somos filhos amados, depois aprendemos a refletir aquilo que recebemos do Pai. Não precisamos nos tornar pessoas melhores para finalmente merecer Seu amor. É justamente enquanto recebemos esse amor que somos transformados para amar de maneira diferente. Também precisamos abandonar a fantasia da perfeição. Talvez uma das melhores heranças que possamos deixar não seja a imagem de alguém que nunca errou, mas a memória de alguém que sabia reconhecer quando estava errado, pedir perdão e continuar crescendo. Assim, em vez de transmitir a exigência de perfeição, transmitimos algo muito mais verdadeiro: a possibilidade de transformação.

Desafio do Dia
Pense em uma coisa específica que você gostaria de ter recebido de seu pai e pergunte: “Como posso oferecer isso de maneira saudável a alguém que Deus colocou em minha vida?”. Talvez seja atenção, uma palavra de reconhecimento, tempo, escuta, carinho ou presença. Escolha uma atitude concreta e pratique-a hoje, não como tentativa de compensar seu passado, mas como expressão daquilo que Deus está formando em você.

Palavra de Esperança
Você não pode voltar e se tornar o pai que precisava ter encontrado no passado, mas pode permitir que Deus transforme a pessoa que você é hoje. Aquilo que faltou não precisa continuar faltando através de você. Uma história diferente pode começar quando a dor deixa de ser apenas lembrança e passa também a ensinar uma nova maneira de amar.

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