Versículo
“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.”
Efésios 4:32
Oração
Pai, hoje chegamos diante de Ti para falar sobre perdão, uma palavra que pode parecer simples quando pronunciada, mas que se torna muito mais profunda quando existem feridas reais por trás dela. Talvez tenhamos carregado durante anos dores relacionadas ao nosso pai, lembranças de palavras, ausências, rejeições, atitudes, promessas quebradas ou situações que deixaram consequências em nossa vida. Algumas dessas experiências podem ter sido reconhecidas e outras talvez nunca tenham recebido sequer um pedido de perdão. Por isso, não queremos transformar este momento em uma tentativa de fingir que nada aconteceu. Tu conheces exatamente o que vivemos, sabes o que nos feriu e não precisas que diminuamos nossa dor para nos aproximarmos de Ti. Queremos aprender a perdoar sem negar nossa história, sem chamar de pequeno aquilo que foi profundo e sem transformar perdão em uma maneira de silenciar aquilo que ainda precisa ser tratado.
Senhor, talvez durante muito tempo tenhamos acreditado que perdoar significava dizer que aquilo que aconteceu não foi tão grave, esquecer completamente o passado ou permitir que tudo volte a ser como antes. Ensina-nos que perdão não exige nenhuma dessas coisas. Podemos reconhecer que algo foi errado e ainda escolher não viver presos à dívida emocional daquela pessoa. Podemos perdoar e ainda precisar estabelecer limites. Podemos liberar alguém diante de Ti sem necessariamente reconstruir imediatamente a mesma proximidade que existia antes. Há situações em que reconciliação pode ser possível e desejável, mas também existem situações em que confiança precisará ser reconstruída lentamente, mediante arrependimento, mudança e atitudes consistentes. Dá-nos sabedoria para não confundir perdão com exposição novamente ao sofrimento. Queremos um coração livre da amargura, mas também queremos caminhar com verdade, discernimento e responsabilidade.
Pai, talvez exista dentro de nós uma resistência ao perdão porque sentimos que abandonar a mágoa significaria permitir que a pessoa saísse sem pagar pelo que fez. Entregamos a Ti essa necessidade de justiça. Não queremos assumir o lugar de juiz da história nem passar o restante da vida cobrando interiormente uma dívida que talvez nunca seja paga da maneira que esperamos. Tu és justo e conheces não apenas aquilo que aconteceu, mas todas as circunstâncias que nós mesmos desconhecemos. Colocamos diante de Ti nosso pai, suas escolhas, suas limitações e tudo aquilo que ainda não conseguimos compreender. Não queremos justificar o injustificável, mas também não queremos continuar emocionalmente ligados ao passado através da cobrança, da raiva ou da necessidade de imaginar como tudo deveria ter sido. Ensina-nos a liberar pouco a pouco aquilo que temos segurado durante tanto tempo.
Senhor, reconhecemos que algumas feridas não desaparecem no mesmo instante em que decidimos perdoar. Talvez amanhã alguma lembrança volte e a dor apareça novamente. Quando isso acontecer, não queremos concluir que nosso perdão foi falso ou inútil. Ensina-nos a reafirmar nossa decisão quantas vezes forem necessárias, enquanto o coração atravessa seu processo de restauração. Também reconhecemos que talvez precisemos perdoar a nós mesmos por escolhas que fizemos tentando lidar com aquilo que vivemos. Que a Tua graça alcance todas essas áreas. Não queremos permanecer definidos pelo que recebemos nem pelo que fizemos em resposta à dor. Colocamos diante de Ti nosso direito de cobrar, nossa necessidade de vingança e nossas expectativas de que o passado pudesse ser diferente. Conduze-nos a uma liberdade verdadeira, na qual possamos lembrar sem continuar aprisionados e seguir adiante sem carregar dentro de nós a pessoa que nos feriu. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Decreto
Eu declaro que o perdão não apagará minha história, mas também não permitirei que minha história continue aprisionando meu coração. Não preciso dizer que aquilo que aconteceu foi correto para escolher perdoar. Não preciso diminuir minha dor, negar minhas lembranças ou justificar atitudes que foram erradas. Posso reconhecer a verdade e, ainda assim, entregar a Deus a dívida que tenho carregado. Não alimentarei continuamente a necessidade de vingança, não construirei minha identidade ao redor daquilo que me fizeram e não permitirei que a amargura determine a pessoa que estou me tornando. Pela graça de Deus, escolho caminhar em direção à liberdade.
Eu declaro que perdão e reconciliação não são exatamente a mesma coisa. Posso perdoar mesmo quando outra pessoa não reconhece aquilo que fez, mas a reconstrução da confiança pode exigir tempo, verdade, arrependimento e mudança. Não utilizarei o perdão como desculpa para permanecer em situações destrutivas nem permitirei que a culpa me obrigue a abandonar limites necessários. Também não usarei limites como justificativa para alimentar ódio. Entregarei a Deus aquilo que não posso resolver e farei com sabedoria aquilo que estiver sob minha responsabilidade. Meu passado pode continuar fazendo parte da minha história, mas não continuará possuindo o controle sobre meu coração.
Reflexão
Uma das maiores dificuldades relacionadas ao perdão surge quando confundimos perdoar com dizer que nada aconteceu. A Bíblia não nos chama a falsificar nossa história. Perdão só possui sentido porque houve algo que realmente precisava ser perdoado. Por isso, reconhecer a dor não é contrário ao perdão. Em alguns casos, é justamente o começo dele. Quando admitimos que algo nos feriu, deixamos de gastar energia tentando minimizar aquilo que aconteceu e podemos começar a entregar a Deus aquilo que carregamos. Perdoar também não significa produzir instantaneamente sentimentos positivos em relação a quem nos feriu. Existe uma decisão espiritual que pode acontecer antes que as emoções consigam acompanhar completamente essa decisão.
Também é importante compreender que perdão não elimina automaticamente consequências nem restaura confiança. Confiança é relacional e pode precisar ser reconstruída. O perdão, porém, pode começar dentro de nós mesmo quando o outro não participa desse processo. Isso nos liberta da ideia de que somente poderemos seguir adiante quando alguém reconhecer o erro, pedir desculpas ou reparar tudo aquilo que aconteceu. Seria maravilhoso quando isso fosse possível, mas nossa liberdade não precisa ficar inteiramente dependente dessa resposta. Em Cristo podemos entregar a Deus o direito de vingança e começar a retirar do passado o poder de governar nosso presente. Algumas lembranças permanecerão, mas elas não precisam permanecer abertas como feridas que determinam todas as nossas escolhas.
Desafio do Dia
Pense em uma situação relacionada ao seu pai que ainda produz mágoa quando você se lembra. Não tente forçar sentimentos que ainda não possui. Apenas descreva diante de Deus, com sinceridade, aquilo que aconteceu e por que isso doeu. Depois diga: “Pai, eu não quero continuar cobrando esta dívida dentro de mim. Ensina-me a perdoar sem negar a verdade e mostra-me quais limites ainda são necessários.” Se a dor for muito profunda, permita que esse seja apenas o primeiro passo de um processo.
Palavra de Esperança
Perdoar não significa dizer que sua dor não importa. Significa decidir que aquilo que aconteceu não terá o direito de possuir seu coração para sempre. Talvez o passado não possa ser reescrito, mas Deus pode transformar a maneira como você o carrega, até que a lembrança permaneça sem continuar determinando seu futuro.
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Deus, ensina-me a te chamar de Pai
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