Palavras que Feriram (006)

Versículo
“Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura.”
Provérbios 12:18

Oração
Pai, hoje colocamos diante de Ti as palavras que ouvimos de nosso pai e que, mesmo depois de tanto tempo, ainda parecem encontrar um caminho de volta à nossa memória. Talvez tenham sido palavras pronunciadas em momentos de raiva, críticas repetidas, comparações, apelidos, acusações ou declarações que atingiram diretamente nossa identidade. Talvez tenhamos ouvido que nunca conseguiríamos, que não éramos bons o suficiente, que sempre fazíamos tudo errado ou que jamais seríamos motivo de orgulho. Em algumas histórias, o que feriu não foi aquilo que foi dito, mas justamente aquilo que nunca foi pronunciado. Esperamos durante anos por uma palavra de aprovação, um reconhecimento, um “tenho orgulho de você”, um “você é importante para mim” ou simplesmente um “eu amo você”, mas essas palavras não chegaram. Tu conheces aquilo que ouvimos e também aquilo que passamos a vida desejando ouvir. Hoje trazemos tudo isso para Tua Presença, porque não queremos continuar permitindo que palavras humanas ocupem dentro de nós um lugar que pertence à Tua verdade.

Senhor, mostra-nos quais palavras ainda estamos carregando como se fossem definições sobre quem somos. Talvez algumas tenham sido pronunciadas tantas vezes que deixamos de questioná-las e começamos a repeti-las interiormente. Podemos ter crescido, construído uma família, desenvolvido habilidades, vencido dificuldades e alcançado tantas coisas, mas ainda existir dentro de nós uma voz antiga dizendo que não somos capazes, que nunca fazemos o suficiente ou que precisamos provar constantemente nosso valor. Ajuda-nos a reconhecer quando a voz do passado se mistura à nossa própria voz e começa a determinar nossas decisões. Não queremos passar a vida tentando provar que alguém estava errado a nosso respeito, porque até mesmo essa tentativa continua nos mantendo presos àquilo que foi dito. Queremos encontrar liberdade não apenas quando demonstrarmos que aquelas palavras eram falsas, mas quando elas deixarem de possuir autoridade sobre nossa identidade.

Pai, também Te pedimos que nos ensines a reconhecer Tua voz. Se durante muitos anos associamos autoridade a críticas, talvez tenhamos dificuldade para compreender Tua correção sem imaginar rejeição. Se nosso pai destacava nossos erros e raramente reconhecia nossos acertos, talvez pensemos que Tu também estás constantemente procurando aquilo que fizemos de errado. Se fomos diminuídos pelas palavras de quem deveria nos fortalecer, talvez seja difícil receber aquilo que Tua Palavra declara sobre nós. Por isso, ensina-nos a distinguir condenação de correção, humilhação de disciplina e acusação da voz amorosa do Pai. Tua verdade pode confrontar nossos erros sem destruir nossa identidade. Tu nos corriges para nos conduzir, não para nos diminuir. Que nossa compreensão da Tua voz seja restaurada e que aprendamos a ouvir Tua Palavra acima de todas as vozes que um dia nos feriram.

Senhor, pedimos também que interrompas em nós a repetição desse ciclo. Não queremos transmitir às pessoas que amamos as mesmas palavras que nos machucaram. Guarda nossa boca nos momentos de irritação, frustração e cansaço. Ensina-nos a corrigir sem humilhar, discordar sem destruir e expressar decepção sem atacar a identidade de alguém. Se já pronunciamos palavras que feriram nossos filhos, nosso cônjuge, familiares ou outras pessoas, dá-nos humildade para reconhecer, pedir perdão e mudar nossa maneira de falar. Que a dor que conhecemos não se transforme em linguagem para ferir outra geração. Colocamos diante de Ti as palavras que recebemos e também aquelas que pronunciamos. Purifica nossa memória, transforma nossa maneira de falar e faz com que Tua verdade tenha a palavra mais alta dentro de nós. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Decreto
Eu declaro que nenhuma palavra humana possui autoridade maior sobre minha identidade do que a Palavra de Deus. Aquilo que disseram sobre mim pode ter produzido dor, vergonha, insegurança ou medo, mas não determinará para sempre aquilo que acredito a meu respeito. Não carregarei como verdade uma palavra simplesmente porque ela foi pronunciada por alguém importante em minha história. Submeterei cada declaração àquilo que Deus diz. Não preciso viver tentando provar que sou diferente das acusações que recebi, nem continuar buscando desesperadamente uma aprovação que talvez nunca venha. Minha identidade não será construída pelas críticas que ouvi nem pelo reconhecimento que me faltou. Escolho permitir que a verdade de Deus ocupe o lugar que durante muito tempo foi ocupado pelas palavras que me feriram.

Eu declaro também que as palavras dolorosas que recebi não serão uma herança que transmitirei. Minha boca não precisa reproduzir aquilo que meus ouvidos aprenderam. Pela graça de Deus, posso desenvolver uma nova maneira de falar, corrigir e expressar meus sentimentos. Escolherei palavras que comuniquem verdade sem destruir, correção sem humilhar e amor sem esconder aquilo que precisa ser dito. Quando antigas vozes retornarem à minha memória, não discutirei com elas tentando provar meu valor. Voltarei à Palavra e lembrarei quem Deus diz que sou. A voz do passado pode continuar fazendo parte da minha lembrança, mas não continuará sendo a autoridade que dirige minha vida.

Reflexão
Palavras pronunciadas por um pai possuem um peso especial durante a formação da identidade. Quando alguém que representa autoridade e referência diz repetidamente que uma criança é incapaz, problemática, fraca ou motivo de vergonha, ela dificilmente possui maturidade para pensar que aquela afirmação talvez tenha sido resultado da raiva, da frustração ou das próprias limitações daquele adulto. Ela tende simplesmente a acreditar. Da mesma maneira, a ausência de palavras também comunica. Uma pessoa pode passar anos conquistando coisas importantes e ainda continuar esperando interiormente o reconhecimento que nunca recebeu. Por isso, algumas batalhas da vida adulta não acontecem contra aquilo que alguém continua dizendo, mas contra aquilo que já foi dito há muitos anos e passou a ser repetido pela própria pessoa dentro de si.

Provérbios reconhece que palavras podem ferir como espada, mas também mostra que palavras podem participar de processos de cura. A resposta bíblica não é fingir que aquilo que ouvimos não teve importância, mas retirar dessas palavras o direito de definir nossa identidade. Isso acontece quando começamos a confrontá-las com aquilo que Deus revelou. Também acontece quando decidimos interromper o ciclo e utilizar nossa própria boca de maneira diferente. Talvez não possamos voltar no tempo e ouvir de nosso pai aquilo que gostaríamos de ter ouvido, mas podemos impedir que essa ausência determine como falaremos com aqueles que estão ao nosso redor. Quando a verdade de Deus transforma nossa linguagem interior, ela começa também a transformar a linguagem que usamos nos relacionamentos.

Desafio do Dia
Identifique uma frase negativa que você ouviu de seu pai e que ainda aparece em seus pensamentos. Escreva essa frase e, ao lado dela, escreva uma verdade bíblica que a confronte. Depois, observe suas próprias palavras durante o dia e escolha conscientemente usar sua boca para fortalecer alguém. Pode ser uma palavra de reconhecimento, gratidão, incentivo ou carinho que você percebe que deveria dizer, mas costuma deixar para depois.

Palavra de Esperança
Uma palavra pode ter atravessado muitos anos e ainda doer, mas ela não precisa continuar governando sua identidade. A voz que feriu não possui a palavra final. Deus pode restaurar aquilo que foi atingido e ensinar você a viver, pensar e falar a partir da verdade.

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