Curando Minha Identidade (020)

Versículo
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
2 Coríntios 5:17

Oração
Pai, hoje colocamos diante de Ti nossa identidade, porque reconhecemos que muitas das feridas relacionadas à paternidade não permaneceram apenas como lembranças, mas influenciaram a maneira como aprendemos a enxergar a nós mesmos. Talvez tenhamos crescido acreditando que não éramos bons o suficiente, importantes o suficiente, fortes o suficiente ou dignos de receber amor. Talvez determinadas palavras, comparações, ausências e atitudes tenham se transformado silenciosamente em definições que carregamos durante anos. Podemos ter construído nossa identidade tentando provar exatamente o contrário daquilo que ouvimos, buscando sucesso para demonstrar nosso valor, tentando agradar a todos para evitar rejeição ou escondendo nossas fragilidades para que ninguém descobrisse aquilo que temíamos ser verdade sobre nós. Hoje queremos colocar diante de Ti todas essas definições e permitir que Tua Palavra responda novamente à pergunta que talvez tenhamos tentado responder durante toda a vida: quem somos?

Senhor, mostra-nos as identidades que construímos para sobreviver. Talvez tenhamos nos tornado aquele que nunca precisa de ajuda, aquele que resolve tudo, aquele que nunca demonstra fraqueza, aquele que precisa ser perfeito, aquele que cuida de todos ou aquele que procura constantemente reconhecimento. Algumas dessas características podem até ter produzido coisas boas, mas não queremos precisar delas para acreditar que possuímos valor. Ensina-nos que não precisamos ser indispensáveis para sermos importantes, nem perfeitos para sermos amados. Não precisamos vencer todas as batalhas, possuir todas as respostas ou esconder nossas limitações para justificar nosso lugar. Ajuda-nos a separar aquilo que realmente faz parte da pessoa que nos tornamos das armaduras que construímos para proteger as feridas que carregávamos. Queremos ter coragem para abandonar aquilo que já não precisamos continuar sustentando.

Pai, em Cristo recebemos uma identidade que não pode ser reduzida às experiências da nossa infância, aos erros que cometemos, às palavras que ouvimos ou às expectativas que não conseguimos cumprir. Tua Palavra diz que em Cristo existe novidade de vida. Isso não significa que nossa história desapareceu ou que todas as consequências do passado deixaram de existir instantaneamente. Significa que o passado já não possui o direito de ser nossa autoridade final. Ensina-nos a olhar para nossa história sem permitir que ela determine nosso valor. Que possamos reconhecer nossas fraquezas sem fazer delas nosso nome, reconhecer nossos pecados sem fazer deles nossa identidade e reconhecer nossas feridas sem construir toda a nossa existência ao redor delas. Somos muito mais do que aquilo que aconteceu conosco, porque nossa vida agora está sendo formada também por aquilo que Cristo realizou por nós e continua realizando em nós.

Senhor, cura nossa identidade de maneira profunda e verdadeira. Não queremos substituir pensamentos negativos por frases vazias nem criar uma imagem idealizada de nós mesmos. Queremos aprender a nos enxergar com sobriedade, reconhecendo dons e limitações, virtudes e áreas que ainda precisam de transformação. Livra-nos tanto da inferioridade quanto da necessidade de superioridade, porque ambas podem nascer de uma identidade insegura. Ensina-nos a receber elogios sem depender deles, críticas sem sermos destruídos por elas e correções sem concluir que perdemos nosso valor. Que nossa segurança cresça no conhecimento de que pertencemos a Ti. Quanto mais compreendermos quem Tu és como Pai, mais queremos compreender quem somos como filhos. Que Tua verdade alcance os lugares em que ainda vivemos tentando provar alguma coisa e nos conduza à liberdade de simplesmente caminhar contigo, crescer, amadurecer e viver a partir da identidade que recebemos em Cristo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Decreto
Eu declaro que não sou definido pelas feridas da minha história. Não sou a rejeição que experimentei, não sou as palavras que me diminuíram, não sou a ausência que senti e não sou os erros que cometi. Essas experiências fazem parte da minha trajetória, mas nenhuma delas possui autoridade para ocupar o lugar da minha identidade. Também não preciso passar a vida tentando provar que sou diferente daquilo que disseram sobre mim. Minha liberdade não está em vencer uma discussão com o passado, mas em permitir que a verdade de Deus se torne maior do que as definições que recebi. Em Cristo existe uma nova referência para compreender quem sou.

Eu declaro que não construirei minha identidade sobre desempenho, aparência, posição, reconhecimento, relacionamentos ou capacidade de ser necessário para outras pessoas. Todas essas coisas podem mudar, mas meu pertencimento a Deus não precisa oscilar com elas. Posso reconhecer minhas limitações sem desprezar a mim mesmo e reconhecer minhas capacidades sem transformar orgulho em identidade. Posso crescer sem viver tentando provar meu valor. Sou uma pessoa em processo de transformação, alcançada pela graça e chamada a viver uma nova vida em Cristo. O passado pode explicar algumas partes de mim, mas não possui a palavra final. Minha identidade será cada vez mais formada pela verdade daquele a quem pertenço.

Reflexão
Identidade é uma resposta à pergunta “quem sou eu?”, mas muitas vezes respondemos essa pergunta utilizando acontecimentos, opiniões e relacionamentos. Se fomos rejeitados, podemos concluir que somos rejeitáveis. Se fomos comparados, podemos concluir que nunca somos suficientes. Se recebemos atenção principalmente quando produzíamos bons resultados, podemos concluir que nosso valor está no desempenho. Essas conclusões parecem descrever quem somos, mas na verdade descrevem aquilo que aprendemos a acreditar sobre nós mesmos. Por isso, a cura da identidade não acontece simplesmente esquecendo o passado. Ela começa quando aprendemos a separar o acontecimento da definição. Algo pode ter acontecido conosco sem possuir o direito de dizer quem somos.

A nova criação mencionada por Paulo não significa que, ao chegar a Cristo, perdemos memória, personalidade ou história. Significa que nossa existência passa a ser compreendida a partir de uma nova realidade. Estamos em Cristo. Essa verdade nos permite olhar para o passado sem sermos aprisionados por ele e olhar para nossas limitações sem transformar cada fraqueza em uma sentença. Também nos protege de outro perigo, construir uma identidade baseada em afirmações exageradas sobre nós mesmos. A identidade bíblica não precisa nos convencer de que somos perfeitos ou superiores. Ela nos ensina que somos dependentes da graça, profundamente conhecidos por Deus e chamados para uma vida de transformação. Quando sabemos a quem pertencemos, já não precisamos gastar a vida inteira tentando convencer o mundo de que temos valor.

Desafio do Dia
Complete sinceramente a frase: “Durante muitos anos eu acreditei que precisava ser __________ para ter valor.” Depois pergunte de onde essa crença pode ter surgido e apresente-a ao Pai. Em seguida, escreva uma verdade bíblica sobre sua identidade em Cristo e carregue essa verdade durante o dia. Não a utilize para negar sua história, mas para lembrar que sua história não possui mais o direito exclusivo de definir quem você é.

Palavra de Esperança
Você não precisa apagar sua história para receber uma nova identidade. Deus pode tocar aquilo que aconteceu sem negar aquilo que você viveu. Em Cristo, o passado deixa de ser a voz final, e seu coração começa a descobrir que pertencimento é um fundamento muito mais seguro do que tudo aquilo que um dia tentou definir seu valor.

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