Versículo
“Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.”
Deuteronômio 6:6 e 7
Oração
Pai, hoje colocamos diante de Ti nossos filhos que já se tornaram pais e mães e também aqueles que um dia poderão receber essa responsabilidade. É profundamente marcante perceber que os filhos que um dia carregamos nos braços agora carregam seus próprios filhos, tomam decisões por eles, preocupam-se com seu futuro e começam a compreender responsabilidades que antes pertenciam a nós. Pedimos que lhes concedas sabedoria para exercer a maternidade e a paternidade sem tentar alcançar uma perfeição impossível. Que saibam amar, proteger, ensinar, corrigir, ouvir e estabelecer limites, mas também reconhecer quando erram. Que não eduquem apenas preocupados com comportamento, notas, profissão ou sucesso, mas compreendam que estão formando pessoas que um dia precisarão caminhar sozinhas. Dá-lhes discernimento para perceber as necessidades particulares de cada filho, porque aquilo que funciona com uma criança pode não funcionar com outra. Que não comparem irmãos, não criem rótulos e não façam com que seus filhos sintam que precisam disputar amor ou aprovação dentro da própria casa.
Senhor, ajuda nossos filhos a não reproduzirem inconscientemente tudo aquilo que receberam de nós. Somos gratos pelo que conseguimos fazer corretamente, mas reconhecemos que também cometemos erros. Talvez tenhamos sido rígidos em momentos que exigiam diálogo, permissivos quando precisávamos estabelecer limites, ausentes em determinadas fases ou excessivamente presentes em outras. Se nossos filhos carregam feridas relacionadas à maneira como foram criados, permite que possam tratá-las sem precisar nos odiar nem repetir aquilo que os feriu. Dá-lhes liberdade para fazer diferente quando diferente for melhor. E se houver coisas boas que aprenderam conosco, que consigam preservá-las sem simplesmente reproduzi-las mecanicamente. Que cada geração avance em sabedoria. Livra nossos filhos de educarem seus próprios filhos tentando corrigir através deles tudo aquilo que gostariam que tivesse sido diferente em sua infância. Que nossos netos não precisem carregar os conflitos não resolvidos das gerações anteriores, mas encontrem pais e mães emocionalmente presentes, espiritualmente maduros e dispostos a continuar aprendendo.
Pai, dá aos nossos filhos sabedoria para ensinar fé aos seus próprios filhos sem transformar o relacionamento contigo apenas em regras religiosas. Que nossos netos vejam oração acontecendo naturalmente dentro de casa, ouçam Tua Palavra, aprendam gratidão e percebam coerência entre aquilo que seus pais ensinam e aquilo que vivem. Que nossos filhos não deleguem exclusivamente à igreja a responsabilidade espiritual de suas crianças, mas também não transformem a casa em um ambiente de cobranças religiosas constantes. Ensina-os a conversar sobre Deus durante a vida comum, como orienta Deuteronômio, assentados em casa, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar. Que respondam perguntas difíceis sem medo, admitam quando não souberem uma resposta e criem espaço para que seus filhos desenvolvam uma fé pessoal. Quando nossos netos chegarem à adolescência e começarem a questionar, dá aos seus pais paciência para ouvir. Quando crescerem e fizerem suas próprias escolhas, concede-lhes a mesma sabedoria que temos pedido nesta jornada: capacidade de orientar sem controlar e de permanecer em oração quando as mãos já não puderem determinar o caminho.
Senhor, guarda também os pais e mães que estão cansados. Tu conheces nossos filhos que tentam conciliar trabalho, casamento, responsabilidades financeiras, criação dos filhos e tantas outras demandas, algumas vezes acreditando que nunca conseguem fazer o suficiente. Dá-lhes descanso, equilíbrio e humildade para pedir ajuda. Se estivermos próximos, mostra-nos como podemos apoiar sem assumir o lugar que pertence a eles. Que sejamos avós capazes de cooperar sem desautorizar os pais diante das crianças, respeitar regras diferentes das nossas e oferecer presença sem interferência constante. Livra-nos de competir pelo afeto dos netos ou usar nossa experiência para diminuir nossos filhos quando fizerem escolhas diferentes. Que nossa experiência se transforme em sabedoria disponível, não em controle. E se algum dos nossos filhos estiver criando seus filhos sozinho, enfrentando circunstâncias especialmente difíceis ou sentindo-se incapaz de continuar, cerca-o de apoio e fortalece-o. Que nossos filhos descubram que ser pai ou mãe não significa nunca falhar, mas continuar aprendendo a amar, corrigir, pedir perdão, recomeçar e conduzir uma nova geração com responsabilidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reflexão
Existe algo profundamente significativo quando percebemos nossos filhos educando nossos netos. De repente, aquela criança que precisou tanto de nós agora precisa tomar decisões por outra vida. E, muitas vezes, é nesse momento que os filhos começam a olhar para a própria infância de uma maneira diferente.
Algumas coisas que fizemos serão repetidas. Outras serão modificadas. Isso não precisa ser interpretado como rejeição. Cada geração recebe a oportunidade de preservar aquilo que foi bom e corrigir aquilo que pode ser melhorado. Uma família amadurece quando não exige que todas as gerações façam tudo exatamente da mesma maneira.
Deuteronômio apresenta a transmissão da fé acontecendo no cotidiano. Isso nos lembra que formação espiritual não se resume a levar uma criança à igreja. A maneira como os pais lidam com dinheiro, conflitos, perdão, trabalho, verdade e pessoas ensina continuamente. Nossos netos provavelmente aprenderão muito sobre Deus observando como seus pais vivem quando não estão dentro de um culto.
Se seus filhos já são pais ou mães, ore hoje especificamente pela maneira como estão educando seus próprios filhos. Evite concentrar sua oração naquilo que você acredita que eles deveriam fazer diferente. Peça primeiro sabedoria, paciência, equilíbrio e discernimento para eles.
Depois, examine seu papel como avô ou avó. Pergunte a si mesmo: “Minha presença fortalece a autoridade dos pais ou, algumas vezes, interfere nela?” Se perceber alguma área que precisa mudar, peça sabedoria para apoiar sem ocupar um lugar que já não pertence a você.
Talvez você olhe para seus filhos criando seus próprios filhos e perceba coisas que faria diferente. Isso faz parte de assistir outra geração construir sua história.
Você não precisa controlar a maneira como tudo será feito para continuar sendo importante. Sua oração, sua experiência, seu exemplo e sua presença podem tornar-se uma herança preciosa quando oferecidos com respeito.
Um dia nossos netos também crescerão.
E talvez uma parte daquilo que estamos pedindo hoje ainda esteja produzindo frutos quando eles próprios estiverem ensinando seus filhos a conhecer Deus.
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