Para que a Fé Deles Não Dependa da Nossa (027)

Versículo
“Eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia.”

2 Timóteo 1:12

Oração
Pai, hoje colocamos diante de Ti a fé dos nossos filhos e pedimos algo que ultrapassa tudo aquilo que podemos ensinar dentro de casa: que eles Te conheçam pessoalmente. Durante uma parte da vida, especialmente enquanto são pequenos, nossos filhos caminham muito próximos da nossa experiência contigo. Eles vão à igreja porque nós os levamos, aprendem a orar porque nos veem orando, conhecem as Escrituras porque apresentamos Tua Palavra e participam de uma vida espiritual organizada pela família. Somos gratos pelo privilégio de plantar essas sementes, mas sabemos que chegará um momento em que nossa fé já não poderá sustentá-los. Eles precisarão responder por si mesmos quem Tu és para eles. Por isso, não queremos criar apenas filhos familiarizados com a linguagem cristã, mas homens e mulheres que possam dizer com convicção: “Eu sei em quem tenho crido”. Que a experiência deles contigo não seja apenas uma continuação automática da nossa, mas um relacionamento verdadeiro, consciente e profundo.

Senhor, permite que nossos filhos façam perguntas sem medo e procurem respostas com sinceridade. Não queremos que tenham uma fé frágil, que desmorone no primeiro questionamento, nem uma fé sustentada apenas porque aprenderam que duvidar era proibido. Quando encontrarem pessoas que desafiem aquilo que receberam, dá-lhes disposição para examinar, estudar e aprofundar suas convicções. Quando enfrentarem passagens difíceis das Escrituras, experiências que não compreendem ou perguntas para as quais não encontrem respostas imediatas, que não tenham medo de trazê-las diante de Ti. Coloca em seu caminho pessoas maduras que não ridicularizem suas dúvidas, mas os ajudem a procurar a verdade com seriedade. Que nossos filhos não precisem escolher entre pensar e crer, mas descubram uma fé que não teme investigação, uma fé enraizada na Tua Palavra e fortalecida por uma caminhada pessoal contigo. E se algumas das ideias que receberam de nós forem apenas tradições humanas que confundimos com princípios bíblicos, concede-lhes discernimento para separar uma coisa da outra sem abandonar aquilo que realmente procede da verdade.

Pai, apresentamos especialmente aqueles filhos que parecem ter vivido durante anos apoiados em nossa fé e que, quando começaram a caminhar sozinhos, se afastaram. Talvez enquanto estavam debaixo do nosso teto tudo parecesse firme, mas depois que saíram de casa percebemos que muitas práticas espirituais pertenciam mais à rotina familiar do que às convicções pessoais deles. Guarda-nos de interpretar isso apenas como fracasso. Talvez este seja justamente o momento em que precisarão decidir, pela primeira vez de maneira verdadeiramente pessoal, o que farão com tudo aquilo que receberam. Não queremos pressioná-los a reproduzir comportamentos religiosos apenas para tranquilizar nosso coração. Queremos que tenham um encontro verdadeiro contigo. Se estiverem questionando, encontra-os em suas perguntas. Se estiverem decepcionados, encontra-os em suas dores. Se estiverem indiferentes, desperta novamente sua consciência. Se estiverem procurando sentido em outros lugares, permite que sejam honestos o suficiente para reconhecer quando aquilo que encontraram não consegue sustentar a alma.

Senhor, prepara nossos filhos para permanecerem contigo quando nós já não estivermos aqui. Um dia nossa voz não poderá mais aconselhá-los, nossas mãos não poderão ajudá-los e nossas orações nesta terra terão chegado ao fim. Por isso, nossa maior herança espiritual não pode ser fazer com que dependam de nós, mas ajudá-los a depender de Ti. Que saibam abrir a Bíblia sem que alguém mande, buscar Tua Presença sem que alguém cobre, procurar uma comunidade de fé não por obrigação familiar, mas porque compreenderam o valor da comunhão. Que nossos filhos sejam capazes de permanecer quando enfrentarem perdas, quando suas próprias famílias atravessarem crises e quando respostas que aprenderam na infância já não forem suficientes para a complexidade da vida adulta. Que nossa fé seja uma semente, nunca uma muleta. E que chegue o dia em que possamos olhar para eles e perceber que já não estão apenas seguindo o Deus de seus pais, mas caminhando com o Deus que conheceram pessoalmente, amaram, escolheram seguir e aprenderam a chamar de seu. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Reflexão
Existe uma diferença entre herdar uma tradição religiosa e desenvolver uma fé pessoal. Timóteo recebeu uma herança preciosa. Paulo menciona a fé de sua avó Lóide e de sua mãe Eunice. Entretanto, chega um momento em que Paulo não fala apenas sobre aquilo que Timóteo recebeu da família. Ele o chama a permanecer pessoalmente naquilo que aprendeu.

Esse talvez seja um dos maiores objetivos espirituais da criação dos filhos. Durante algum tempo, emprestamos a eles nossas estruturas. Nós os levamos, ensinamos, lembramos, corrigimos e conduzimos. Mas, se tudo correr bem, chegará o momento em que já não precisarão da nossa vigilância para buscar Deus.

Isso também significa aceitar que a caminhada deles poderá ser diferente da nossa. Talvez façam perguntas que nunca fizemos, expressem a fé de maneiras diferentes ou precisem reconstruir algumas compreensões recebidas na infância. Nosso desejo não deveria ser que reproduzam exatamente nossa experiência, mas que permaneçam firmemente ligados a Cristo.

Desafio do Dia

Hoje, mude um pouco sua oração. Em vez de pedir apenas: “Senhor, faz meu filho permanecer na fé que ensinei”, ore: “Senhor, permite que meu filho Te conheça de maneira pessoal e profunda”. Se seus filhos são adultos, pense também se você tem dado espaço para que desenvolvam sua própria caminhada com Deus. Resista à necessidade de medir a espiritualidade deles apenas pela semelhança com a sua maneira de viver a fé.

Palavra de Esperança

A fé que você plantou não precisa permanecer dependente da sua presença para continuar crescendo. Talvez hoje seus filhos estejam justamente no processo de descobrir o que realmente creem. Isso pode assustar quem gostaria de protegê-los de todas as perguntas, mas uma convicção examinada pode tornar-se mais profunda do que uma crença simplesmente repetida.

Nossa maior alegria não será ouvir nossos filhos dizerem apenas: “Meus pais acreditavam em Deus”. Será ouvi-los dizer, com a própria história como testemunho: “Eu sei em quem tenho crido.”

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