Chegamos ao final destes 30 dias, mas seria um erro imaginar que chegamos ao final daquilo que esta jornada nos ensinou. Desde o princípio, nossa inspiração esteve em uma pequena frase registrada na história de Jó: “Assim o fazia Jó continuamente.” Jó apresentava seus filhos diante de Deus repetidamente. Não porque pudesse controlar o coração deles, não porque tivesse garantia de que jamais errariam, mas porque compreendia que sua responsabilidade como pai também possuía uma dimensão espiritual. Existiam lugares da vida dos seus filhos aos quais ele não conseguia chegar, mas sua intercessão podia apresentá-los Àquele que conhecia todas as coisas.
Ao longo desta jornada, aprendemos a fazer o mesmo. Colocamos nossos filhos diante de Deus em diferentes fases e circunstâncias. Oramos pelos pequenos que ainda dependem de nós, pelos adolescentes que começam a descobrir quem são, pelos jovens que precisam tomar decisões importantes, pelos adultos que já conduzem a própria vida e pelos filhos que constituíram suas famílias. Oramos também por aqueles que estão perto e por aqueles que se distanciaram, pelos que permanecem firmes na fé e pelos que hoje parecem não desejar qualquer relacionamento com Deus. Em cada uma dessas situações, fomos levados à mesma verdade: nossos filhos crescem, nossas possibilidades de protegê-los diminuem, nossa autoridade sobre suas decisões muda, mas nosso amor pode continuar encontrando expressão através da intercessão.
Talvez uma das maiores transformações produzidas por estes dias tenha acontecido não nos filhos por quem oramos, mas dentro de nós. Ao apresentá-los repetidamente diante de Deus, fomos confrontados com nossos próprios medos, expectativas e tentativas de controle. Tivemos de reconhecer que algumas vezes chamamos de cuidado aquilo que já se tornou ansiedade, chamamos de conselho aquilo que se tornou insistência e chamamos de proteção aquilo que, em determinados momentos, pode impedir nossos filhos de assumir responsabilidades. Interceder verdadeiramente exige mãos abertas. Significa continuar amando profundamente sem tentar ocupar o lugar de Deus na história de outra pessoa.
Também fomos lembrados de que nossos filhos não são apenas aquilo que conseguimos enxergar hoje. Uma fase difícil não resume uma vida inteira. Um erro não precisa transformar-se em identidade. Um afastamento não nos autoriza a escrever antecipadamente o último capítulo. Existem histórias que levam anos para amadurecer. Há sementes ensinadas na infância que aparentemente desaparecem durante muito tempo e voltam à memória em momentos que jamais poderíamos prever. Isso não significa alimentar expectativas irreais nem determinar como Deus deverá agir. Significa simplesmente recusar a desesperança enquanto ainda existe história sendo escrita.
Esta jornada também nos ensinou a ampliar nossa intercessão. Começamos pensando em nossos filhos e terminamos olhando para gerações. Quando um filho cresce, casa-se e recebe seus próprios filhos, percebemos que aquilo que foi construído dentro da nossa casa pode atravessar décadas. Nossos acertos podem tornar-se referências. Nossos erros, quando reconhecidos, podem ensinar humildade. Nossas histórias com Deus podem ser contadas aos nossos netos. E até aquilo que não recebemos das gerações anteriores pode começar em nós. Talvez não tenhamos herdado uma história familiar de oração, mas podemos decidir que nossos descendentes terão.
Por isso, não permita que esta série termine simplesmente porque chegamos à oração 030. Talvez agora comece justamente a parte mais importante. Não precisamos repetir todos os dias longas orações nem transformar a intercessão em uma obrigação cansativa. Podemos simplesmente estabelecer diante de Deus um altar permanente pelos nossos filhos. Podemos pronunciar seus nomes enquanto dirigimos, lembrar deles durante uma caminhada, apresentar uma preocupação antes de dormir ou separar um momento específico durante a semana para interceder por cada um. O essencial não está na quantidade de palavras, mas na constância de um coração que aprendeu a entregar.
Um dia talvez nossos filhos nunca saibam quantas vezes seus nomes foram pronunciados diante de Deus. Talvez não conheçam as lágrimas derramadas, as madrugadas em que acordamos preocupados ou os momentos em que precisávamos desesperadamente de respostas e decidimos simplesmente confiar. Não importa. A intercessão não precisa ser conhecida por aquele por quem oramos para possuir significado. Há um amor que aconselha, um amor que abraça, um amor que corrige, um amor que ajuda e existe também um amor silencioso que entra na Presença de Deus e pronuncia um nome.
Que este seja o legado que levaremos desta jornada.
Enquanto vivermos, haverá nomes que continuaremos colocando no altar.
Oração
Pai, chegamos diante de Ti ao final desta jornada trazendo novamente aquilo que apresentamos durante todos estes dias: nossos filhos. Não temos ouro, ofertas ou sacrifícios semelhantes aos que Jó apresentava naquela antiga história, mas trazemos nossos corações, nossa fé, nossas preocupações e os nomes daqueles que colocaste em nossa vida para amar. Alguns desses nomes nos fazem sorrir quando os pronunciamos. Outros talvez façam nossos olhos se encherem de lágrimas. Existem histórias que hoje nos trazem gratidão e existem histórias que ainda carregamos com perguntas. Há filhos caminhando perto de nós e outros vivendo tão longe que conhecemos apenas uma pequena parte daquilo que acontece em seus dias. Ainda assim, colocamos cada um diante de Ti. Tu conheces aquilo que não conhecemos, enxergas aquilo que não conseguimos enxergar e sabes exatamente onde cada filho se encontra, não apenas fisicamente, mas também emocional e espiritualmente.
Senhor, recebe novamente nossos filhos pequenos, adolescentes, jovens e adultos. Recebe aqueles que ainda moram conosco e aqueles que já possuem suas próprias casas. Recebe os solteiros, os casados, os separados, aqueles que já são pais e mães e aqueles que ainda estão procurando compreender qual caminho seguirão. Colocamos diante de Ti seus relacionamentos, estudos, profissões, finanças, casamentos, decisões, pensamentos, sonhos e fraquezas. Entregamos também aquilo que eles escondem de nós, não para que vivamos desconfiados, mas para que descansemos sabendo que não precisamos conhecer tudo para continuar intercedendo. Guarda-os quando estiverem longe dos nossos olhos. Dá-lhes discernimento diante das escolhas, domínio próprio diante das tentações, humildade diante dos erros, perseverança nas provações e coragem quando precisarem recomeçar. Que aprendam a caminhar não dependentes da nossa fé, mas desenvolvendo uma história pessoal contigo.
Pai, entregamos também aqueles filhos pelos quais temos chorado há muito tempo. Alguns se afastaram de Ti, outros tomaram decisões que não conseguimos compreender e talvez existam aqueles que parecem ter esquecido completamente aquilo que receberam. Não queremos transformar nossa oração em tentativa de determinar quando, onde ou de que maneira deverás agir. Apenas pedimos que continues alcançando seus corações com verdade e graça. Que aquilo que foi semeado encontre oportunidades de ser lembrado. Coloca pessoas sábias em seus caminhos, confronta aquilo que precisa ser confrontado e oferece oportunidades de retorno quando perceberem que precisam mudar de direção. Dá-nos sabedoria para manter portas abertas sem sustentar comportamentos destrutivos, amar sem controlar, acolher sem chamar o errado de certo e esperar sem transformar nossa esperança em ansiedade. Se precisarmos pedir perdão por erros que cometemos como pais, concede-nos humildade. Se precisarmos estabelecer limites, concede-nos firmeza. Se precisarmos simplesmente permanecer em silêncio e orar, dá-nos paz.
Senhor, finalmente colocamos diante de Ti as gerações que vieram de nós e aquelas que ainda virão. Abençoa nossos filhos, nossos netos e aqueles que talvez nunca cheguemos a conhecer nesta terra. Que aquilo que precisa terminar em nossa geração termine conosco e aquilo que procede de Ti continue avançando. Que a fé não seja apenas uma tradição familiar, mas uma experiência renovada em cada geração. Que nossos filhos contem aos seus filhos aquilo que aprenderam contigo e que nossos netos também construam suas próprias histórias de fé. E quando chegar o dia em que já não estivermos aqui para interceder por eles, que permaneça uma herança de amor, verdade, caráter e oração. Hoje abrimos nossas mãos. Não porque deixamos de nos importar, mas porque reconhecemos que nunca fomos donos da história dos nossos filhos. Fizemos e continuaremos fazendo aquilo que nos cabe. Ensinaremos enquanto pudermos, aconselharemos quando houver espaço, ajudaremos quando for correto, corrigiremos quando for nossa responsabilidade e continuaremos orando enquanto tivermos fôlego. Depois de tudo isso, descansaremos em Ti. Nossos filhos são profundamente amados por nós, mas hoje os colocamos novamente diante Daquele que os conhecia antes mesmo que nós conhecêssemos seus rostos. Enquanto vivermos, continuaremos pronunciando seus nomes diante de Ti. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
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30 dias de oração por nossos filhos – Indice
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