Enquanto Viver, Apresentarei Meus Filhos a Deus (030)

Versículo
“Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.”
Jó 1:5

Oração
Pai, chegamos ao último dia desta jornada voltando exatamente ao lugar onde tudo começou: um pai diante de Ti apresentando seus filhos continuamente. Durante estes dias pronunciamos diante do Senhor necessidades, medos, escolhas, relacionamentos, caminhos, futuro, fé, famílias e tantas áreas da vida daqueles que amamos. Hoje compreendemos ainda mais profundamente que interceder pelos nossos filhos não significa tentar controlar cada detalhe da história deles, mas reconhecer que existem lugares aos quais nossas mãos não chegam e nos quais somente Tu podes entrar. Alguns dos nossos filhos ainda estão debaixo do nosso teto, outros já seguiram seus próprios caminhos, alguns formaram famílias, outros talvez estejam distantes de nós ou de Ti. Existem aqueles sobre quem conhecemos quase tudo e aqueles cuja vida já possui capítulos que não compartilhamos. Ainda assim, enquanto tivermos fôlego, queremos continuar fazendo aquilo que Jó fazia: levantar-nos diante de Ti e apresentar cada um pelo nome. Não porque acreditamos que nossa oração substituirá as escolhas deles, mas porque reconhecemos que amar também significa interceder quando já não podemos fazer mais nada.

Senhor, colocamos diante de Ti tudo aquilo que sabemos sobre nossos filhos e também tudo aquilo que não sabemos. Entregamos suas escolhas presentes e as decisões que ainda tomarão, os relacionamentos que estão construindo, os lugares por onde passarão, as oportunidades que surgirão e as portas que precisarão recusar. Entregamos suas dúvidas, suas fraquezas, seus sonhos, suas decepções, seus pecados, suas conquistas e as batalhas que talvez nunca nos contem. Se estiverem perto de Ti, fortalece-os para permanecer. Se estiverem frios espiritualmente, desperta novamente sua fome. Se estiverem afastados, que encontrem caminhos de retorno. Se estiverem feridos, conduz à restauração. Se estiverem fazendo escolhas erradas, dá-lhes humildade para reconhecer e voltar. Se estiverem prosperando, guarda-os da autossuficiência. Se estiverem atravessando escassez, preserva-os do desespero. Se estiverem formando suas famílias, concede sabedoria. Se estiverem sozinhos, que não tomem decisões movidos apenas pela carência. Em cada estação, pedimos que sejam capazes de perceber Tua Presença e responder com responsabilidade àquilo que colocares diante deles.

Pai, hoje também entregamos a Ti nossas expectativas sobre nossos filhos. Perdoa-nos pelas vezes em que confundimos nossos sonhos para eles com Tua vontade, pelas ocasiões em que tentamos determinar como deveriam viver para que nosso coração estivesse tranquilo e pelos momentos em que usamos preocupação como justificativa para controlar. Nós os amamos profundamente e talvez por isso seja tão difícil abrir as mãos. Mas hoje reconhecemos novamente que nossos filhos não nos pertencem. Fomos chamados para amar, ensinar, proteger enquanto necessário, corrigir, aconselhar, servir de exemplo e interceder, mas não fomos chamados para ocupar Teu lugar. Liberta-nos da culpa por aquilo que já não podemos mudar, da ansiedade por aquilo que ainda não aconteceu e da necessidade de saber tudo o que acontece na vida deles. Dá-nos sabedoria para perceber quando precisamos falar e quando precisamos silenciar, quando devemos ajudar e quando precisamos estabelecer limites, quando devemos nos aproximar e quando amar significará respeitar o espaço que eles precisam para amadurecer. Que nossa intercessão não seja alimentada pelo medo, mas pela confiança de que podemos colocá-los diante de Ti todos os dias.

Senhor, não sabemos quantos anos ainda teremos para pronunciar seus nomes nesta terra. Por isso, enquanto vivermos, queremos continuar construindo este altar de oração. Quando nossos filhos estiverem bem, nós Te agradeceremos. Quando estiverem enfrentando dificuldades, nós intercederemos. Quando concordarmos com suas escolhas, nós Te pediremos sabedoria para apoiá-los. Quando não concordarmos, nós Te pediremos domínio próprio para não transformar preocupação em controle. E quando chegar o dia em que nossa voz se calar, pedimos que as orações feitas durante tantos anos permaneçam como parte da herança que deixamos. Que nossos filhos se lembrem de que foram amados, ensinados, corrigidos e, acima de tudo, apresentados diante de Deus. Que eles façam o mesmo pelos seus filhos e que nossos netos façam o mesmo pela geração seguinte. Não sabemos como cada história terminará, mas sabemos a Quem estamos entregando cada nome. Hoje encerramos esta série, mas não encerramos nossa intercessão. Amanhã talvez não exista mais uma oração numerada, porém continuará existindo um pai, uma mãe, um avô, uma avó ou alguém que ama levantando-se diante de Ti e dizendo novamente: “Senhor, aqui estão os nossos filhos”. Recebe-os mais uma vez das nossas mãos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Reflexão
Depois de trinta dias, voltamos a Jó 1:5 e encontramos uma pequena expressão que resume toda esta jornada: “Assim o fazia Jó continuamente”.

Jó não intercedeu apenas quando recebeu uma notícia ruim. Não esperou surgir uma crise para lembrar-se de apresentar os filhos diante de Deus. A intercessão fazia parte de sua maneira de exercer a paternidade. Havia algo que ele compreendia profundamente: existiam áreas do coração dos filhos que ele não conseguia enxergar, mas que poderia colocar diante do Senhor.

Também precisamos perceber aquilo que o texto não diz. Jó não podia arrepender-se no lugar dos filhos, escolher por eles ou produzir santidade dentro deles. Sua intercessão não anulava a responsabilidade individual de cada um. Isso torna seu exemplo ainda mais precioso. Ele fazia aquilo que estava ao seu alcance e reconhecia diante de Deus aquilo que ultrapassava seus limites.

Talvez essa seja uma das maiores lições destes trinta dias. Interceder não é controlar espiritualmente nossos filhos. É aprender a amá-los com as mãos abertas. Nós ensinamos, aconselhamos, estabelecemos limites quando nos cabe, reconhecemos nossos próprios erros e permanecemos disponíveis. Depois, colocamos diante de Deus aquilo que somente Ele conhece.

E fazemos isso continuamente.

Desafio do Dia

Pegue uma folha e escreva o nome de cada um dos seus filhos. Se eles já constituíram suas próprias famílias, acrescente o nome dos cônjuges e dos netos. Ao lado de cada nome, escreva apenas uma frase resumindo aquilo que mais deseja apresentar a Deus por essa pessoa neste momento.

Guarde essa folha em sua Bíblia ou no lugar onde costuma orar. A série termina hoje, mas escolha um dia da semana para continuar apresentando esses nomes especificamente diante de Deus. Não faça disso uma obrigação pesada. Faça disso um altar de amor e intercessão.

Palavra de Esperança

Talvez durante estes trinta dias você tenha orado por um filho que está perto de Deus. Talvez tenha chorado por alguém que está distante. Talvez existam situações que começaram a mudar e outras que continuam exatamente como estavam quando esta jornada começou. Não meça o valor da sua oração apenas pelas mudanças que conseguiu enxergar. Há um momento em que precisamos parar de procurar sinais todos os dias e simplesmente continuar fiéis naquilo que nos cabe. Jó se levantava e apresentava seus filhos diante de Deus continuamente. Que, muitos anos depois, quando nossos filhos se lembrarem de nós, possam dizer:

“Eu tive alguém que orava por mim.”

E que, enquanto houver fôlego em nós, os nomes dos nossos filhos continuem encontrando lugar em nossas orações.

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