Versículo
“Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti.”
Lucas 15:18
Oração
Pai, hoje colocamos diante de Ti os nossos filhos que estão distantes. Alguns cresceram ouvindo Tua Palavra, aprenderam a orar, participaram da comunhão da igreja e conheceram princípios que procuramos ensinar dentro de casa, mas em algum momento escolheram outros caminhos. Outros talvez nunca tenham desenvolvido um relacionamento verdadeiro contigo e apenas acompanharam nossa fé enquanto estavam debaixo da nossa responsabilidade. Tu conheces cada história e sabes exatamente o que aconteceu entre aquilo que receberam e o lugar onde estão hoje. Conheces as decepções, perguntas, feridas, influências, pecados, escolhas e experiências que contribuíram para esse afastamento. Nós não queremos simplificar histórias complexas dizendo apenas que nossos filhos se rebelaram, quando talvez existam dores que nunca compreendemos. Por isso, pedimos que alcances profundamente aquilo que está por trás da distância. Revela Teu caráter, desfaz imagens distorcidas a Teu respeito e permite que eles descubram que podem voltar para Ti não porque conseguiram organizar primeiro toda a vida, mas porque Tua graça continua chamando pecadores ao arrependimento.
Senhor, guarda-nos da ansiedade que tantas vezes acompanha a intercessão por um filho distante. Quando vemos escolhas que contradizem aquilo que ensinamos, nossa primeira reação pode ser aumentar as cobranças, repetir os mesmos conselhos e transformar praticamente toda conversa em tentativa de convencimento. Dá-nos discernimento para compreender que existem momentos em que insistir continuamente pode fechar ainda mais um coração que já não deseja ouvir. Ensina-nos a falar quando houver oportunidade e a silenciar quando nossas palavras estiverem apenas produzindo resistência. Que nossos filhos não precisem evitar nossa presença por saberem que qualquer encontro terminará em uma discussão sobre sua vida espiritual. Ajuda-nos a manter pontes abertas sem chamar de certo aquilo que Tua Palavra chama de errado. Dá-nos capacidade de amar sem negociar a verdade, acolher sem aprovar o pecado e permanecer próximos sem controlar. Que nosso comportamento dentro de casa testemunhe sobre Cristo com tanta clareza quanto aquilo que dizemos sobre Ele.
Pai, há pais e mães que carregam uma pergunta dolorosa diante de Ti: “Onde foi que nós erramos?” Hoje pedimos que tragas equilíbrio a esse coração. Se existem erros que precisamos reconhecer, mostra-nos com clareza e concede humildade para pedir perdão aos nossos filhos sem justificativas. Se nossa religiosidade foi pesada, se nossas palavras feriram, se exigimos deles aquilo que nós mesmos não vivíamos ou se representamos mal Teu caráter em algum momento, transforma-nos e permite que a restauração comece também em nós. Mas livra-nos de assumir toda a responsabilidade pelas escolhas de filhos que já são capazes de decidir por si mesmos. Não permitas que a culpa nos consuma nem que interpretemos cada afastamento como prova de que fracassamos completamente. Nós plantamos, ensinamos e continuamos intercedendo, mas reconhecemos que cada pessoa precisa responder pessoalmente ao Teu chamado. Dá-nos paz para fazer aquilo que nos cabe e confiança para colocar diante de Ti aquilo que já não podemos determinar.
Senhor, lembramos hoje do pai que viu o filho partir para uma terra distante e não deixou de ser pai enquanto esperava. Pedimos que prepares caminhos de retorno para nossos filhos. Não determinamos como isso acontecerá, nem Te pedimos sofrimento como instrumento para trazê-los de volta. Pedimos que uses Tua verdade, Tua bondade, pessoas sábias, circunstâncias e tudo aquilo que estiver de acordo com Tua vontade para despertar seus corações. Que em algum momento possam reconhecer: “Preciso voltar”. E quando esse momento chegar, ajuda-nos a não recebê-los com uma lista de acusações sobre tudo aquilo que fizeram enquanto estiveram longe. Dá-nos a sabedoria daquele pai que correu ao encontro do filho, sem negar seu pecado, mas celebrando seu retorno. Até esse dia, guarda nosso coração da desesperança. Talvez não saibamos quanto tempo essa história levará, mas queremos continuar fazendo aquilo que aprendemos com Jó: apresentar nossos filhos continuamente diante de Ti. Que nenhuma distância nos faça desistir de amar, nenhuma demora nos faça abandonar a oração e nenhuma aparência atual nos faça acreditar que a história já terminou. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reflexão
A parábola do filho pródigo contém um detalhe doloroso: o pai permitiu que o filho partisse. Ele não deixou de amar, mas também não tentou impedir à força uma decisão que o filho já havia tomado. Isso nos confronta porque, quando amamos alguém, nossa vontade é impedir qualquer caminho que possa produzir sofrimento.
Com filhos adultos, entretanto, chega um momento em que precisamos reconhecer os limites da nossa autoridade. Podemos aconselhar, alertar e dizer claramente aquilo em que acreditamos, mas não conseguimos produzir fé dentro de ninguém. O pai da parábola permaneceu disponível para o retorno, mas o filho precisou chegar pessoalmente à conclusão: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”.
Isso não significa passividade. Significa trocar controle por intercessão. Enquanto não conseguimos decidir por nossos filhos, podemos continuar construindo uma casa para a qual eles saibam que existe caminho de volta. E existe uma diferença enorme entre uma porta aberta e uma casa sem princípios. O pai recebeu o filho, mas o retorno envolveu reconhecimento e arrependimento.
Desafio do Dia
Se você tem um filho distante de Deus, faça hoje algo difícil: durante este dia, não peça primeiro que Deus mude determinado comportamento dele. Ore pela raiz. Peça que seu filho tenha um encontro verdadeiro com Cristo e que compreenda pessoalmente sua necessidade de Deus.
Depois, examine a maneira como você tem se relacionado com ele. Se praticamente todas as conversas acabam se tornando cobranças espirituais, peça sabedoria para reconstruir outros espaços de relacionamento. Às vezes, manter uma ponte de amor aberta será parte importante da espera.
Palavra de Esperança
O filho pródigo estava longe da casa antes de decidir voltar, mas a distância não apagou sua identidade de filho nem fechou a porta do pai.
Talvez você esteja olhando para alguém que parece cada dia mais distante daquilo que recebeu. Não transforme isso em garantia de um retorno imediato, mas também não transforme o presente em sentença definitiva sobre o futuro.
Enquanto seu filho estiver escrevendo sua história, continue intercedendo. Há capítulos que ainda não foram escritos.
E talvez um deles comece com as palavras: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai.”
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