Versículo
“De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.”
Romanos 14:12
Oração
Pai, hoje nos colocamos diante de Ti reconhecendo uma das verdades mais difíceis para quem ama profundamente seus filhos: chega um momento em que não podemos mais decidir por eles. Durante muitos anos fomos responsáveis por estabelecer limites, escolher caminhos, proteger, corrigir e dizer aquilo que poderiam ou não fazer. Mas o tempo passou, nossos filhos cresceram e muitos deles hoje conduzem a própria vida, administram seus recursos, escolhem seus relacionamentos, formam suas famílias e tomam decisões que podem ser diferentes daquelas que tomaríamos. Ajuda-nos a compreender essa mudança sem interpretar a independência deles como perda do nosso lugar. Continuaremos sendo pais e mães, continuaremos amando, aconselhando e intercedendo, mas já não teremos autoridade sobre todas as escolhas. Dá-nos sabedoria para aceitar os limites que acompanham essa nova fase e humildade para reconhecer que nossos filhos pertencem a Ti e são responsáveis diante de Ti pela maneira como conduzem a própria história.
Senhor, quando enxergarmos nossos filhos fazendo escolhas que consideramos equivocadas, guarda-nos da necessidade de tentar controlar através da culpa, da pressão, do dinheiro, da chantagem emocional ou da religião. Que nunca usemos nossa posição de pais para exigir obediência de adultos como se ainda fossem crianças. Dá-nos discernimento para perceber a diferença entre aconselhar e controlar, entre alertar e insistir, entre estar presente e invadir. Quando precisarmos falar, coloca sabedoria em nossas palavras para que sejam claras, respeitosas e verdadeiras. Quando já tivermos dito aquilo que precisava ser dito, ensina-nos a não repetir incessantemente o mesmo conselho como se a repetição pudesse produzir uma decisão diferente. Ajuda-nos a respeitar inclusive escolhas que não seriam as nossas quando elas não envolvem pecado ou destruição, mas simplesmente maneiras diferentes de viver. Livra-nos de transformar nossas preferências pessoais em regras espirituais e dá-nos maturidade para permitir que nossos filhos construam uma vida que não seja uma cópia da nossa.
Pai, sabemos que essa entrega se torna muito mais dolorosa quando as escolhas deles realmente produzem consequências. É difícil assistir a um filho adulto tomar uma decisão que poderá feri-lo e saber que não podemos simplesmente impedi-lo. Nesses momentos, guarda nosso coração da ansiedade e da culpa. Ensina-nos a estabelecer limites quando as escolhas deles começarem a comprometer nossa casa, nossas finanças, nossa paz ou outras pessoas da família. Dá-nos coragem para dizer não quando ajudar significaria sustentar irresponsabilidade, mas também sensibilidade para reconhecer quando nosso apoio pode contribuir para um verdadeiro recomeço. Não permitas que abandonemos nossos filhos porque estamos decepcionados, nem que tentemos protegê-los de toda consequência porque temos medo de vê-los sofrer. Dá-nos equilíbrio para permanecer disponíveis sem assumir aquilo que pertence a eles, amar sem carregar responsabilidades que não são nossas e continuar intercedendo mesmo quando precisarmos permitir que aprendam através das próprias decisões.
Senhor, hoje abrimos nossas mãos diante de Ti e entregamos novamente aquilo que tantas vezes tentamos segurar. Nossos filhos não são projetos que precisam terminar exatamente como planejamos, são pessoas que também estão construindo sua própria história diante de Deus. Que nossas mãos abertas não signifiquem indiferença, mas confiança. Que possamos dormir sem precisar saber cada detalhe, viver sem vigiar cada movimento e amar sem exigir que todas as decisões deles passem pela nossa aprovação. Acima de tudo, ensina nossos filhos a assumir responsabilidade pela própria vida. Que aprendam a buscar Tua direção, considerar consequências, reconhecer erros e corrigir caminhos quando necessário. E quando nós já não pudermos aconselhá-los, que tenham desenvolvido maturidade suficiente para continuar caminhando diante de Ti. Hoje renunciamos à tentativa de ocupar um lugar que nunca nos pertenceu. Nós somos pais e mães, mas Tu és Deus. Por isso fazemos aquilo que está ao nosso alcance e colocamos diante de Ti aquilo que não podemos controlar, confiando que Teus olhos alcançam nossos filhos muito além dos limites das nossas mãos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Reflexão
Existe uma diferença entre influência e controle. Enquanto nossos filhos são pequenos, nossa responsabilidade inclui tomar decisões por eles. Conforme crescem, entretanto, essa responsabilidade precisa ser transferida progressivamente. O objetivo da criação nunca deveria ser produzir adultos permanentemente dependentes das decisões dos pais, mas pessoas capazes de assumir responsabilidade pela própria vida.
Romanos 14:12 nos lembra que cada pessoa dará conta de si mesma a Deus. Essa verdade também vale para nossos filhos. Chegará um momento em que eles não poderão atribuir todas as suas decisões à maneira como foram criados, assim como nós não poderemos carregar eternamente a responsabilidade pelas escolhas que eles fizerem.
Talvez por isso a intercessão seja tão importante nessa fase. Quando diminuem nossas possibilidades de interferir, não diminui nossa possibilidade de orar. Na verdade, talvez seja justamente quando nossas mãos precisam soltar que nossos joelhos precisam aprender ainda mais profundamente a permanecer diante de Deus.
Desafio do Dia
Pense em uma área da vida de algum dos seus filhos adultos que você ainda tenta controlar. Pode ser uma decisão financeira, profissional, sentimental, familiar ou até espiritual. Pergunte a si mesmo com sinceridade: “Essa decisão realmente pertence a mim?”
Se perceber que não pertence, faça hoje um exercício de entrega. Ore especificamente por essa situação e peça a Deus sabedoria para substituir controle por presença, conselho quando solicitado e intercessão constante.
Palavra de Esperança
Soltar o controle não significa deixar de amar. Muitas vezes significa aprender uma forma mais madura de amor.
Talvez você não possa escolher o caminho que seu filho seguirá, mas pode continuar sendo uma presença segura, uma voz sábia e alguém que pronuncia seu nome diante de Deus.
Há um momento em que nossas mãos precisam abrir.
E talvez seja exatamente aí que descubramos que os filhos que não conseguimos mais segurar continuam podendo ser colocados nas mãos do Senhor.
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Pessoas Certas no Caminho Deles (017)
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