Uma Frase no Caminho (010)

Versículo – “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”
Mateus 5:16

Frase de Impacto – Enquanto você simplesmente segue o seu caminho, aquilo que carrega pode estar falando profundamente ao coração de alguém que vem logo atrás.

Oração – Pai, chegamos ao último dia desta caminhada reconhecendo que muitas vezes não temos ideia de quem está observando nossa vida, lendo uma mensagem que compartilhamos ou sendo alcançado por alguma atitude que para nós já se tornou parte da rotina. Ensina-me a viver de maneira consciente, entendendo que minha fé não deve permanecer restrita aos momentos dentro da igreja, mas pode ser demonstrada nas ruas, no trabalho, dentro de casa e nos lugares mais comuns. Dá-me sabedoria para comunicar aquilo em que creio com respeito e verdade, sem buscar reconhecimento para mim. Que minha vida possa apontar para o Senhor mesmo quando eu não estiver pronunciando uma única palavra.

Declarando a Palavra – Hoje eu declaro que quero carregar minha fé para além das paredes da igreja. Minhas palavras, escolhas e atitudes poderão testemunhar aquilo em que creio onde quer que eu esteja. Não preciso saber quem está observando nem conhecer todos os resultados. Quero permanecer disponível para que Deus use até mesmo aquilo que parece simples. Declaro que continuarei semeando, servindo e compartilhando esperança, mesmo quando não souber até onde uma mensagem poderá chegar.

Testemunho Real – Há aproximadamente vinte anos mantenho um propósito muito simples nos carros que utilizo: procuro sempre colocar no vidro traseiro uma frase ou um versículo que possa transmitir uma mensagem para quem estiver atrás de mim. Em determinada época, eu tinha um carro e havia colocado nele uma frase que dizia: “Nenhum sucesso compensa o fracasso do lar.”

Certo dia, eu estava dirigindo pela BR-116, em Curitiba. Naquela época, a rodovia estava passando por obras e praticamente não havia acostamento naquele trecho. Havia as pistas de rolamento e, nas laterais, barrancos, o que tornava difícil simplesmente sair para o lado e permitir que outro veículo passasse.

Quando passei pela região da Vila São Pedro, percebi um motorista atrás de mim buzinando insistentemente. Ele buzinava repetidas vezes e eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Pensei que talvez quisesse ultrapassar, mas não havia espaço para eu sair da frente. Continuei dirigindo e ele permaneceu atrás do meu carro por aproximadamente quatro ou cinco quilômetros, talvez até um pouco mais. Já não consigo precisar a distância exata depois de tantos anos, mas me recordo de que ele me acompanhou por um bom trecho, sempre tentando chamar minha atenção.

Pouco antes do viaduto da Marechal Floriano, na região do cruzamento com a Brigadeiro Franco, o semáforo fechou e precisei parar. Tentei posicionar meu carro o máximo possível para o lado, imaginando que finalmente aquele motorista passaria. Mas ele não passou. Pelo contrário, colocou o carro ao lado do meu, pelo lado em que minha esposa estava, chegando muito próximo da lateral da via.

Naquele momento, ainda não sabíamos o que ele queria. Minha esposa abriu o vidro e então vimos aquele homem chorando. Ele olhou para nós e disse algo que nunca esquecemos: “Gente, eu tenho 59 anos de idade. Nunca uma frase falou tão forte na minha vida como a frase do carro de vocês. Eu quero somente dizer para vocês muito obrigado. Muito obrigado.”

Conversamos por mais alguns instantes. Depois, deixei que ele seguisse à nossa frente. Mais adiante, vimos aquele carro fazer um retorno e voltar em direção à BR. Não sei para onde ele estava indo, não sei por que decidiu retornar e nunca mais o encontrei. Também nunca soube o que estava acontecendo em sua vida naquele dia. Não sei se aquela frase tinha relação com alguma decisão que precisava tomar, com sua família ou com alguma situação que estivesse enfrentando. Seria errado tentar preencher com suposições aquilo que ele não nos contou.

O que sei é que um homem de 59 anos percorreu vários quilômetros atrás do meu carro, insistindo em chamar minha atenção, porque precisava dizer que uma frase escrita no vidro havia falado profundamente ao seu coração. Eu não precisei estar dentro de uma igreja, segurando uma Bíblia ou pregando uma mensagem. Eu estava simplesmente dirigindo pela BR-116, seguindo meu caminho, enquanto uma mensagem colocada no vidro do carro estava falando com alguém que eu nem conhecia.

Testemunho real, vivido e compartilhado por Wilson Bezerra.

Reflexão – Durante aqueles quilômetros, eu interpretava as buzinas a partir daquilo que conseguia enxergar. Imaginava que aquele motorista estava com pressa, queria ultrapassar ou estava irritado porque eu não conseguia sair da frente. Do outro lado, porém, havia um homem emocionado tentando apenas encontrar uma oportunidade de nos dizer o que aquela frase havia provocado nele. A mesma situação estava sendo vivida por duas pessoas de maneiras completamente diferentes. Eu enxergava buzinas; ele carregava lágrimas.

Depois de tantos anos, também existe algo que considero muito significativo: aquela mensagem estava cumprindo seu propósito enquanto eu não fazia absolutamente nada além de dirigir. Isso me ensinou que testemunhar da fé não acontece somente quando planejamos uma ação específica. Uma mensagem no carro, uma atitude honesta, algo que repartimos, uma palavra entregue ou a maneira como tratamos alguém podem continuar falando depois que seguimos nosso caminho. Não precisamos transformar cada situação em algo extraordinário, mas podemos viver de tal maneira que até os detalhes comuns estejam disponíveis para Deus.

Atitude do Dia – Ao terminar estes dez dias, escolha uma maneira prática de tornar sua fé visível através da vida que você já possui. Não precisa copiar nenhuma das experiências desta série. Pergunte simplesmente: “O que Deus já colocou em minhas mãos?” Talvez seja sua profissão, seu carro, suas redes sociais, sua casa, seus recursos, seu testemunho, seu tempo ou sua capacidade de ouvir pessoas. Use aquilo que você já tem de maneira responsável para transmitir esperança, demonstrar integridade e fazer o bem. Depois, não fique preocupado em descobrir todos os resultados. Algumas pessoas talvez agradeçam; muitas outras seguirão seu caminho sem que você jamais saiba que foram alcançadas.

Palavra de Esperança – Dez testemunhos chegaram até aqui, mas muitas dessas histórias terminaram sem que eu conhecesse o capítulo seguinte. Nunca mais encontrei aquele motorista. Não sei o que aconteceu depois que ele fez o retorno naquela noite. Mas talvez essa seja uma maneira apropriada de terminar esta série. Nem sempre conheceremos o final das histórias das pessoas que cruzarem nosso caminho. Não saberemos até onde chegou cada semente, quantas pessoas leram determinada mensagem ou o que um pequeno gesto representou. Nossa responsabilidade não é escrever o final de todas essas histórias. É permanecer disponível enquanto fazemos parte delas. E, quando olharmos para trás e percebermos quantas vezes uma decisão, uma palavra, uma oração ou um simples gesto encontrou alguém no momento certo, talvez uma frase volte ao nosso coração: não foi por acaso.

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