Quando Deus Diz: Pare (008)

Versículo – “Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.”
Lucas 10:33

Frase de Impacto – Quando Deus realmente nos chama para um momento, Ele também pode nos dar a ousadia que aquele momento exige.

Oração – Pai, existem momentos em que estou tão concentrado no lugar para onde estou indo que posso não perceber aquilo que acontece durante o caminho. Dá-me sensibilidade para reconhecer quando preciso parar, mesmo que outras pessoas já estejam presentes, mesmo que eu não compreenda exatamente o que poderei fazer e mesmo que aquela situação esteja completamente fora dos meus planos. Também peço discernimento para não confundir impulso com direção e coragem para obedecer quando houver clareza em meu coração. Se algum dia o Senhor me conduzir a uma situação que ultrapasse minha coragem natural, concede-me a ousadia necessária para aquele momento, sem preocupação com reconhecimento ou com aquilo que outras pessoas poderão pensar. Que minha disposição seja simplesmente obedecer.

Declarando a Palavra – Hoje eu declaro que quero permanecer sensível à direção de Deus durante o meu caminho. Não preciso compreender antecipadamente tudo o que acontecerá para obedecer àquilo que estiver claro diante de mim. Quero agir com responsabilidade, sabedoria e compaixão, mas também com coragem quando Deus me direcionar. Declaro que o medo da opinião das pessoas não será maior do que minha disposição de fazer aquilo que compreendi ser necessário naquele momento.

Testemunho Real – Há muitos anos, participei de uma reunião de célula na casa do meu pastor, em um bairro de Curitiba distante de onde eu morava. Foi uma reunião muito marcante espiritualmente e saí dali sentindo-me profundamente tocado pela Presença de Deus. Já passava das onze horas da noite quando comecei o caminho de volta para casa. Eu ainda teria pela frente um trecho de aproximadamente dez a doze quilômetros de rodovia.

Durante o trajeto, deparei-me com um grave acidente. Uma Kombi havia colidido de frente com um caminhão e estava muito danificada. Havia várias pessoas no local, principalmente motoristas e caminhoneiros que haviam parado e estavam ajudando. Eu poderia ter continuado, porque claramente já existiam pessoas prestando auxílio. Entretanto, senti de maneira muito forte em meu coração uma direção: “Pare.”

Estacionei meu carro do outro lado da rodovia, embaixo de algumas árvores, tranquei-o e fui até o local. Quando me aproximei, vi uma criança de aproximadamente quatro anos chamada Alisson deitada no chão e chorando. Havia pessoas ao redor tentando ajudá-la e consolá-la. Quando cheguei perto daquele menino, senti algo muito forte em minhas pernas e imediatamente me ajoelhei ao lado dele. Coloquei as mãos sobre suas pernas e comecei a orar em línguas.

Algo me chamou a atenção. Enquanto eu orava, Alisson se acalmava. Quando eu interrompia a oração, ele voltava a chorar intensamente. Então eu retomava a oração e ele novamente ficava mais tranquilo. Fiz isso diante de todas aquelas pessoas sem pensar no que poderiam achar. Naquele momento, não senti vergonha nem preocupação com a opinião de quem estava ao redor. Eu apenas tinha uma convicção muito forte de que deveria permanecer ali orando.

Quando a ambulância chegou, Alisson segurou minha mão e pediu que eu não o deixasse. Queria que eu fosse com ele. Expliquei que não poderia acompanhá-lo na ambulância, e um dos profissionais do resgate também informou que isso não seria possível. Então prometi ao menino que iria visitá-lo no dia seguinte e procurei saber para qual hospital seria levado.

No dia seguinte, eu e minha esposa fomos ao hospital. Conhecemos os pais de Alisson e soubemos que, apesar da gravidade do acidente e dos grandes danos no veículo, segundo aquilo que a família nos contou, eles haviam sobrevivido com ferimentos relativamente pequenos. Algum tempo depois, fomos convidados para tomar um café na casa deles. Quando chegamos, Alisson veio correndo me abraçar e depois voltou a brincar.

Durante a conversa, a mãe dele me fez uma pergunta inesperada. Queria saber se eu tinha conhecimento do que havia acontecido enquanto estava ajoelhado orando ao lado de seu filho. Respondi que não. Expliquei apenas que havia sentido uma direção muito forte para parar e orar.

Então ela me contou algo que, segundo ela, Alisson havia relatado. O menino dizia que, enquanto eu orava em uma linguagem que ele não compreendia, via um homem vestido de branco. Quando eu parava de orar, aquele homem desaparecia. Quando começava novamente, ele tornava a aparecer. Foi o relato de uma criança de aproximadamente quatro anos, posteriormente contado a mim por sua mãe. Eu não tenho como explicar exatamente o que Alisson viu naquela noite. O que sei é aquilo que vivi: senti que precisava parar, ajoelhei-me ao lado dele e orei.

Testemunho real, vivido e compartilhado por Wilson Bezerra.

Reflexão – Quando penso naquela noite hoje, existe um detalhe que considero muito importante. Quando cheguei ao local do acidente, Alisson não estava sozinho. Havia várias pessoas ao redor dele, principalmente motoristas e caminhoneiros que haviam parado e tentavam ajudar e consolá-lo. Eu poderia facilmente ter olhado aquela cena e pensado que minha presença não faria diferença, porque já havia pessoas suficientes ali. Mas senti claramente que deveria parar e me aproximar.

Também havia muita gente observando. Mesmo assim, naquele momento não pensei no que aquelas pessoas poderiam achar quando me ajoelhei diante de uma criança desconhecida, coloquei as mãos sobre suas pernas e comecei a orar em línguas. Não tive vergonha. Houve uma ousadia que, olhando tantos anos depois, eu mesmo me pergunto se teria novamente. E minha resposta é sincera: não sei. Creio que somente faria algo semelhante hoje se tivesse novamente uma direção muito clara de Deus, porque aquilo não nasceu de uma tentativa de chamar atenção nem de demonstrar espiritualidade. Eu simplesmente sabia, naquele momento, que precisava obedecer.

Talvez essa seja uma das maiores lições que aquela noite deixou em mim. Obediência nem sempre significa fazer aquilo que normalmente teríamos coragem de fazer. Às vezes, significa receber coragem exatamente para aquele momento. Eu não precisava entender tudo o que estava acontecendo naquela estrada. Precisava apenas responder à direção que havia recebido. O restante eu somente conheceria depois, quando reencontrei aquela família e ouvi da mãe de Alisson aquilo que seu filho dizia ter visto enquanto eu orava.

Atitude do Dia – Peça hoje a Deus sensibilidade e discernimento para perceber quando alguém ao seu redor precisa de ajuda, oração, companhia ou simplesmente de alguém que permaneça ao seu lado. Isso não significa agir de maneira imprudente, especialmente em acidentes ou situações de emergência, nas quais a segurança e o atendimento profissional devem ser respeitados. Significa não permitir que o pensamento “alguém certamente fará alguma coisa” se transforme automaticamente em desculpa para a indiferença. Se houver algo seguro, responsável e apropriado que você possa fazer, esteja disponível.

Palavra de Esperança – Talvez você esteja vivendo um momento em que gostaria que alguém simplesmente parasse. Talvez existam pessoas ao redor, mas ainda assim você se sinta sozinho diante daquilo que está enfrentando. Deus conhece exatamente onde você está. Nem sempre saberemos de que maneira o cuidado chegará, mas podemos continuar confiando que Ele conhece nossa história e pode levantar pessoas para oferecer ajuda, presença, oração e consolo. E talvez, em outro momento, seja você quem estará passando pelo caminho quando perceber alguém precisando que uma pessoa pare. Quando isso acontecer, talvez você descubra que a coragem necessária não precisava existir antes. Ela precisava apenas chegar no momento de obedecer.

Séries inéditas de oração esperam por você.
Clique aqui e veja todas elas