Chegamos ao final desta caminhada sem a pretensão de ter encontrado uma explicação para cada sofrimento. Algumas perguntas podem ter sido respondidas, enquanto outras talvez continuem abertas. Algumas feridas podem estar cicatrizando e outras ainda exigirão tempo, cuidado e oração. O propósito destes dez dias nunca foi ensinar que precisamos compreender tudo o que aconteceu, mas descobrir que podemos continuar confiando mesmo quando existem partes da história que ainda não conseguimos compreender.
Ao longo desta série, aprendemos algo fundamental: Romanos 8:28 não diz que todas as coisas são boas, mas que todas as coisas podem cooperar para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito. Existe uma diferença profunda entre essas duas verdades. A perda não precisa ser chamada de boa, a injustiça não precisa ser justificada e a ferida não precisa ser ignorada. Deus é poderoso o suficiente para entrar justamente naquilo que nos feriu e impedir que esse acontecimento tenha autoridade para escrever sozinho o restante da nossa história.
José nos mostrou que aquilo que pessoas planejaram para o mal não conseguiu impedir os propósitos de Deus. Rute nos ensinou que uma história marcada por perdas ainda pode ter novos capítulos. Paulo nos lembrou que as tribulações podem produzir perseverança, experiência e esperança. Em cada uma dessas histórias houve dor, lágrimas, espera e caminhos que ninguém escolheria voluntariamente. Entretanto, nenhum desses momentos representou o capítulo final.
Talvez essa seja uma das maiores verdades que precisam permanecer depois desta série: não interprete toda a sua história pelo capítulo mais doloroso dela. Uma perda não determina tudo aquilo que ainda poderá ser encontrado. Uma rejeição não estabelece seu valor. Um fracasso não significa que nunca haverá outra oportunidade. Uma porta fechada não prova que todos os caminhos terminaram. Enquanto houver história para ser escrita, ainda existem possibilidades que você não conhece.
Também aprendemos que Deus não trabalha apenas mudando circunstâncias. Muitas vezes, enquanto esperamos que algo aconteça ao nosso redor, Ele começa realizando uma obra dentro de nós. A perseverança cresce, prioridades são reorganizadas, a oração se torna mais sincera, nossa dependência aumenta e começamos a perceber coisas que antes passavam despercebidas. Isso não significa agradecer pela dor em si, mas reconhecer que ela não conseguiu atravessar nossa vida sem que Deus também estivesse presente.
Por isso, ao encerrar estes dez dias, leve consigo aquilo que amadureceu, deixe para trás aquilo que precisa ser abandonado e permita que Deus continue tratando aquilo que ainda necessita de cura. Não carregue amargura quando pode carregar aprendizado. Não transforme cicatrizes em prisões. Elas podem permanecer como lembranças de uma batalha, mas não precisam continuar abertas como feridas determinando cada decisão.
Talvez você ainda esteja no meio do processo. Nesse caso, não encerre sua história antes do tempo. O fato de ainda não enxergar uma saída não significa que ela não exista. O fato de uma resposta ainda não ter chegado não significa que Deus deixou de trabalhar. O fato de hoje ainda doer não significa que sempre doerá da mesma maneira. Continue fazendo aquilo que está ao seu alcance e entregue ao Senhor aquilo que você não consegue controlar.
Por maior que seja a sua dor, ela não é maior que a capacidade de Deus de transformar aquilo que aconteceu em parte de um propósito que ainda está sendo escrito.
A dor escreveu algumas linhas. A perda escreveu outras. Talvez lágrimas tenham molhado algumas páginas e existam capítulos que você jamais escolheria reler. Mas nenhuma dessas coisas recebeu a caneta para escrever sozinha o final. Sua história ainda está sendo escrita. Deus ainda está trabalhando. E aquilo que hoje parece apenas uma página de sofrimento ainda pode encontrar seu lugar dentro de um propósito muito maior.
Oração Final – Pai, ao terminar esta caminhada, entrego ao Senhor tudo aquilo que ainda não consigo compreender. Coloco diante de Deus as dores que permanecem, as perguntas que ainda não encontraram respostas, as perdas que deixaram marcas e os capítulos da minha história que eu gostaria que tivessem sido diferentes. Não quero carregar sozinho aquilo que já me cansou por tanto tempo. Recebe minhas lágrimas, minhas lembranças, meus medos e tudo aquilo que ainda precisa ser restaurado dentro de mim.
Ensina-me a confiar mesmo quando não consigo enxergar o propósito. Quando minha mente voltar ao passado, lembra-me de que minha história continua. Quando o medo tentar me convencer de que o futuro repetirá aquilo que vivi, fortalece minha esperança. Quando eu olhar para minhas cicatrizes, não permita que eu enxergue apenas aquilo que me feriu, mas também tudo aquilo que o Senhor me ajudou a atravessar. Cura o que ainda precisa ser curado, fortalece o que ficou enfraquecido e restaura em mim a coragem para continuar caminhando.
Pai, eu entrego também os capítulos que ainda não foram escritos. Não sei exatamente o que encontrarei adiante, mas escolho colocar meu futuro em Suas mãos. Que minhas perdas não determinem minhas expectativas, que minhas decepções não governem minhas decisões e que minhas dores não definam quem eu sou. Faça cooperar para o bem até aquilo que eu jamais escolheria viver e transforme minha história em testemunho de Sua graça, fidelidade e cuidado. Eu escolho seguir adiante, confiando que Deus ainda está trabalhando e que nenhuma dor é maior do que Sua capacidade de redimir, restaurar e fazer nascer algo novo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
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Quando a dor coopera para o bem – Indice
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