Versículo
“E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?”
Marcos 4:38
Oração
Pai, existem momentos em que a tempestade se torna tão intensa que começo a perguntar por que o Senhor ainda não fez alguma coisa. Oro, espero, clamo e, quando não vejo uma resposta imediata, meu coração pode interpretar o silêncio como distância. Hoje eu quero entregar ao Senhor essa ansiedade que exige respostas rápidas e essa necessidade de compreender tudo enquanto ainda estou atravessando o problema. Ensine-me a confiar não apenas quando vejo o Senhor agindo da maneira que espero, mas também quando aparentemente nada está acontecendo.
Senhor, quando eu olhar para as ondas e pensar que estou sozinho, faça-me lembrar de que Jesus continua no barco. Quando o medo disser que fui esquecido, fortaleça meu coração para não transformar silêncio em abandono. Eu não sei quanto tempo esta tempestade ainda durará, não sei quando as circunstâncias mudarão e talvez nem consiga compreender agora por que algumas coisas estão acontecendo, mas escolho confiar que a ausência de uma resposta imediata não significa ausência da Sua Presença.
Guarde meu coração das conclusões precipitadas que nascem nos momentos de aflição. Não permita que eu diga que Deus não se importa simplesmente porque ainda não aconteceu aquilo que estou esperando. Quero descansar na certeza de que minha vida continua diante dos Seus olhos e que nenhuma onda passa despercebida. Sustente-me enquanto espero, fortaleça-me enquanto enfrento e amadureça minha fé para que eu aprenda a reconhecer Sua Presença mesmo nos momentos em que tudo parece silencioso. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Decreto
Eu declaro que não confundirei o silêncio de Deus com abandono. Mesmo quando não consigo perceber aquilo que o Senhor está fazendo, escolho permanecer firmado na certeza de que Sua Presença continua comigo. Minha confiança não dependerá somente daquilo que meus olhos conseguem enxergar, porque sei que Deus continua sendo Deus quando o mar está tranquilo e também quando as ondas se levantam.
Declaro que o medo não me convencerá de que fui esquecido. Não medirei o cuidado de Deus pela velocidade com que minhas circunstâncias mudam. Enquanto espero por respostas, continuarei orando, permanecerei firme e guardarei meu coração. Jesus está no barco, e essa verdade será maior dentro de mim do que qualquer tempestade ao meu redor.
Reflexão
Existe um detalhe impressionante nessa passagem. Enquanto os discípulos lutavam contra o vento, tentavam controlar o barco e provavelmente retiravam a água que entrava, Jesus dormia. Para aqueles homens, aquela cena parecia incompreensível. O problema não era apenas a tempestade, mas a aparente tranquilidade de Jesus diante de algo que, para eles, representava risco de morte. Por isso, quando finalmente o despertaram, não perguntaram simplesmente se Ele poderia ajudá-los. A pergunta revelou o que estava acontecendo dentro deles: “Não se te dá que pereçamos?” Em outras palavras, a tempestade começou do lado de fora, mas depois entrou no coração, fazendo com que questionassem até mesmo o cuidado de Jesus.
Isso também pode acontecer conosco. Existem períodos em que suportamos a dificuldade por algum tempo, mas quando a resposta demora começamos a lutar com pensamentos ainda mais dolorosos do que o próprio problema. Perguntamos se Deus está vendo, se está ouvindo, se ainda se importa conosco ou por que permanece em silêncio quando poderia mudar tudo. É importante perceber que Jesus dormir não significava que havia perdido o controle. A tranquilidade de Cristo dentro daquele barco revelava justamente aquilo que os discípulos ainda precisavam aprender: a tempestade era grande para eles, mas nunca foi maior do que Aquele que estava com eles.
Talvez uma das maiores transformações produzidas durante uma tempestade seja aprender a confiar na Presença de Deus antes de enxergar Sua intervenção. Queremos primeiro que Jesus acalme o mar para depois descansarmos, mas muitas vezes Ele começa trabalhando nosso coração enquanto o mar ainda está agitado. A maturidade espiritual cresce quando descobrimos que podemos permanecer confiantes mesmo antes da resposta chegar. A maior segurança daqueles discípulos não estava em possuir um barco resistente, conhecer técnicas de navegação ou conseguir controlar o vento. A maior segurança estava em uma verdade que o medo quase os fez esquecer: Jesus estava no barco.
Desafio do Dia
Observe quais pensamentos surgem quando suas orações parecem não receber resposta. Se você perceber que começou a interpretar a demora como abandono ou o silêncio como falta de cuidado, apresente esses pensamentos a Deus. Hoje, sempre que a preocupação voltar, repita conscientemente esta verdade: “Eu ainda não consigo ver tudo o que Deus está fazendo, mas não estou sozinho nesta tempestade.”
Palavra de Esperança
Talvez aquilo que mais esteja machucando você neste momento não seja apenas a tempestade, mas a sensação de que Deus deveria ter feito alguma coisa e ainda não fez. Não permita que o silêncio faça você esquecer quem está no barco. Antes mesmo de o vento parar, antes de as ondas diminuírem e antes de os discípulos entenderem o que estava acontecendo, Jesus já estava ali. Se Jesus está no barco, o silêncio nunca significa abandono.
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