Versículo
“Peçam ao Senhor chuva no tempo das chuvas da primavera; é o Senhor quem faz as nuvens de tempestade, dá chuva aos homens e faz crescer as plantas do campo.”
Zacarias 10:1
Oração
Senhor Deus, hoje eu apresento diante do Senhor aquilo que minha terra necessita e que minhas próprias mãos não conseguem produzir. Posso preparar o solo, retirar espinhos, lançar sementes e cuidar daquilo que foi colocado sob minha responsabilidade, mas não consigo fabricar a chuva. Existem necessidades que ultrapassam minhas forças, situações que não consigo resolver e mudanças que dependem de movimentos que não estão sob meu controle. Por isso, reconheço novamente minha dependência do Senhor. Não quero viver tentando produzir sozinho aquilo que somente Deus pode conceder. Quero fazer minha parte com responsabilidade e, ao mesmo tempo, manter meu coração consciente de que existem respostas que precisam ser recebidas, e não fabricadas.
Pai, algumas vezes o tempo sem chuva me deixou cansado. Olhei para a terra, vi aquilo que precisava acontecer e tentei encontrar maneiras de acelerar o processo. Talvez tenha falado quando deveria esperar, insistido quando deveria descansar, carregado responsabilidades que não eram minhas ou tentado resolver pela força aquilo que precisava ser colocado em oração. Hoje entrego ao Senhor essa necessidade de controlar. Ensine-me a reconhecer a diferença entre aquilo que devo fazer e aquilo que preciso confiar. Que minhas mãos estejam ocupadas com a obediência e meu coração livre do peso de tentar ocupar um lugar que pertence somente a Deus.
Senhor, eu peço chuva sobre as áreas secas da minha vida, mas não quero determinar ao Senhor como essa chuva deverá chegar. Talvez eu esteja esperando uma resposta por um caminho específico enquanto Deus deseja conduzir a situação de outra maneira. Talvez esteja esperando que alguém mude, quando primeiro preciso mudar minha maneira de lidar com essa pessoa. Talvez espere uma oportunidade exatamente onde uma porta se fechou, enquanto o Senhor prepara outra direção. Dê-me sensibilidade para não ficar tão preso à forma da resposta a ponto de não reconhecer Sua provisão quando ela chegar por um caminho diferente daquele que imaginei.
Pai, enquanto espero pela chuva, preserve minha terra. Não permita que o desânimo faça com que eu abandone aquilo que já foi preparado. Sustente minha fé nos dias em que o céu parecer fechado e minhas circunstâncias continuarem iguais. Que eu não interprete a demora como esquecimento nem transforme minha expectativa em exigência. Quero continuar pedindo, confiando e caminhando, sabendo que Deus conhece aquilo que realmente necessito e o momento adequado para cada provisão. Se a chuva chegar como resposta externa, receberei com gratidão. Se primeiro chegar como força, paz, direção ou sabedoria para continuar, também reconhecerei que o Senhor está cuidando de mim. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Decreto
Eu declaro que reconheço meus limites e não tentarei produzir pela força aquilo que não está sob meu controle. Farei com responsabilidade tudo aquilo que Deus colocar em minhas mãos, mas não carregarei o peso de fabricar resultados. Existem situações que precisam da minha atitude e existem situações que precisam da minha confiança. Buscarei sabedoria para distinguir uma da outra e não permitirei que a ansiedade me faça assumir responsabilidades que Deus nunca colocou sobre mim.
Declaro que continuarei pedindo sem transformar minha oração em exigência. Apresentarei minhas necessidades ao Senhor e permanecerei aberto à maneira como Ele decidir conduzir minha história. Não condicionarei minha fé a uma única forma de resposta. Deus pode abrir uma porta, mudar uma circunstância, transformar meu coração, trazer uma oportunidade inesperada ou mostrar que existe outro caminho. Quero estar sensível para reconhecer Sua direção mesmo quando ela não corresponder ao roteiro que construí.
Eu declaro que minha terra não será abandonada enquanto espero. Continuarei cuidando daquilo que já está sob minha responsabilidade, mantendo minhas sementes, minhas decisões e minha fé. O céu pode ainda parecer sem chuva, mas não permitirei que isso me faça desistir do campo. Minha esperança estará em Deus e não em previsões humanas. Não sei quando nem de que maneira determinadas respostas chegarão, mas sei que posso permanecer fiel enquanto espero.
Reflexão
Existe um momento na agricultura em que todo o trabalho humano encontra seu limite. O agricultor pode preparar cuidadosamente o terreno, escolher boas sementes, plantar no período adequado e proteger aquilo que semeou. Entretanto, ele não consegue ordenar que as nuvens apareçam. Existe uma parte essencial da colheita que permanece fora de suas mãos. Essa realidade, que poderia produzir desespero, também ensina dependência.
Zacarias apresenta um povo sendo chamado a pedir chuva ao Senhor. O texto não incentiva passividade. A terra continuava precisando ser trabalhada, mas havia algo que somente Deus poderia conceder. Essa imagem nos ajuda a reconhecer uma verdade difícil: nem tudo em nossa vida pode ser resolvido com mais esforço. Existem momentos em que fazer mais não significa avançar mais. Algumas situações exigem responsabilidade, outras exigem espera, e muitas exigem as duas coisas ao mesmo tempo.
Talvez uma das razões pelas quais determinadas esperas sejam tão cansativas seja porque, além de cuidar da terra, tentamos fabricar a chuva. Queremos convencer pessoas a mudar, controlar decisões que pertencem a outros, prever todos os acontecimentos, garantir que determinado resultado aconteça e encontrar explicações para tudo. Aos poucos, carregamos um peso que nunca fomos chamados a sustentar. A fé começa a amadurecer quando reconhecemos que existem limites para nossas mãos sem interpretar esses limites como impotência. Podemos orar, agir corretamente e confiar.
Há ainda outra questão importante. Às vezes pedimos chuva, mas já decidimos de qual nuvem ela precisa cair. Pedimos a Deus uma resposta, porém construímos antecipadamente o formato dessa resposta. Quando isso acontece, podemos ficar tão concentrados em uma possibilidade que deixamos de perceber outras formas de cuidado. A chuva de Deus nem sempre será aquilo que imaginamos. Algumas vezes será uma porta aberta. Em outras, será coragem para atravessar uma porta fechada. Pode ser restauração, mas também pode ser direção para recomeçar. Pode ser mudança de circunstâncias ou transformação interior. O essencial não é controlar a nuvem, mas permanecer debaixo da direção do Senhor.
Desafio do Dia
Pegue a situação que você escolheu no primeiro dia e divida uma folha em duas partes. Em uma delas, escreva: “O que está em minhas mãos”. Na outra, escreva: “O que não está em minhas mãos”. Seja específico. Na primeira parte, coloque atitudes que realmente dependem de você. Na segunda, registre aquilo que pertence às decisões de outras pessoas, às circunstâncias, ao futuro ou à ação de Deus. Faça hoje uma coisa concreta da primeira parte. Depois, ore pela segunda parte e decida conscientemente não tentar controlar aquilo que você acabou de reconhecer que não está em suas mãos.
Palavra de Esperança
Talvez você tenha chegado até aqui cansado porque, além de cuidar da terra, estava tentando carregar as nuvens. Você não precisa fazer isso. Existem responsabilidades que são suas, mas existem movimentos que jamais dependeram da força das suas mãos. Deus não exige que você produza sozinho aquilo que está além da sua capacidade. Continue preparando, plantando e cuidando. Continue orando. E quando chegar ao limite daquilo que pode fazer, não interprete esse limite como o fim. Às vezes é justamente nesse ponto que aprendemos uma das verdades mais profundas da fé: a terra está em nossas mãos para ser cuidada, mas a chuva continua pertencendo a Deus.
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