O Silêncio de Deus Não É Ausência (003)

Versículo
Verdadeiramente, tu és Deus misterioso, ó Deus de Israel, ó Salvador.
Isaías 45:15

Oração
Pai, existem momentos em que o mais difícil não é apenas aquilo que estou enfrentando, mas a sensação de não conseguir perceber Tua resposta enquanto enfrento. Eu oro, espero, procuro direção, abro a Tua Palavra e, ainda assim, algumas perguntas permanecem. Há situações nas quais eu gostaria que Tu falasses claramente, mostrasses o caminho, mudasses as circunstâncias ou simplesmente me desses uma confirmação de que tudo está sendo conduzido. Quando isso não acontece, meu coração se inquieta e o silêncio começa a parecer distância. Por isso, hoje eu Te peço que me ensines a distinguir o Teu silêncio da Tua ausência e a continuar confiando em Ti mesmo quando não consigo perceber claramente o que estás fazendo.

Senhor, reconheço que muitas vezes estabeleci condições para acreditar que estás perto. Quando recebo uma resposta, sinto Tua presença. Quando uma porta se abre, reconheço Tua mão. Quando as circunstâncias mudam rapidamente, consigo testemunhar Tua fidelidade. Mas quando oro e nada parece mudar, quando os dias passam e a resposta não chega, quando procuro uma explicação e não a encontro, começo a interpretar o silêncio como abandono. Perdoa-me por medir Tua presença somente por aquilo que consigo sentir ou compreender. Tua fidelidade não desaparece quando minhas emoções deixam de percebê-la, e Teu cuidado não termina quando não consigo identificar imediatamente os sinais da Tua atuação.

Pai, lembra-me de José dentro da prisão, vivendo dias nos quais nenhuma explicação parecia suficiente para aquilo que havia acontecido. Lembra-me de Davi escondido em cavernas depois de ter sido ungido rei, sem saber quanto tempo ainda precisaria esperar. Lembra-me de Lázaro, enquanto Marta e Maria aguardavam a chegada de Jesus e precisavam lidar com uma demora que não conseguiam compreender. Em cada uma dessas histórias existiu um intervalo entre aquilo que as pessoas esperavam e aquilo que Deus estava fazendo. Dá-me maturidade para atravessar meus próprios intervalos sem abandonar a confiança.

Quando eu não ouvir uma resposta nova, ajuda-me a permanecer naquilo que já revelaste em Tua Palavra. Quando não souber o que fazer, dá-me sabedoria para obedecer ao que já está claro. Quando eu desejar sinais para cada decisão, ensina-me a buscar também discernimento, prudência e conselho. Não permitas que minha ansiedade transforme qualquer impressão em voz de Deus apenas porque estou desesperada por uma resposta. Dá-me um coração firmado nas Escrituras, capaz de esperar sem inventar respostas e de caminhar sem tentar obrigar-Te a revelar aquilo que ainda não decidiste mostrar.

Senhor, se este período de silêncio estiver revelando algo dentro de mim, dá-me coragem para enxergar. Talvez eu tenha me acostumado a confiar mais nas respostas do que em Ti. Talvez minha paz dependa demais de saber antecipadamente o que acontecerá. Talvez eu esteja tentando controlar o futuro por meio da oração, quando a oração deveria estar ensinando meu coração a depender de Ti. Trabalha em mim enquanto espero. Não permitas que este tempo produza apenas impaciência. Que ele produza raízes, discernimento, perseverança e uma fé menos dependente das circunstâncias.

Hoje eu Te entrego as perguntas que continuam sem resposta. Não fingirei que não existem, nem esconderei de Ti minha frustração, meu cansaço ou minhas dúvidas. Tu conheces tudo isso antes mesmo que eu consiga colocar em palavras. Apenas não quero permitir que aquilo que ainda não compreendo se transforme em uma acusação contra Teu caráter. Se não posso enxergar Tua mão neste momento, ajuda-me a confiar no Teu coração. Se ainda não conheço o próximo capítulo, dá-me graça para permanecer fiel nesta página. Ensina-me a descobrir que até no silêncio posso caminhar contigo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Decreto
Eu declaro que não confundirei o silêncio de Deus com abandono. Minha fé não dependerá somente de respostas rápidas, sinais visíveis ou circunstâncias favoráveis. Quando eu não compreender o que Deus está fazendo, permanecerei firmada naquilo que Sua Palavra já revelou sobre Seu caráter. Não inventarei respostas para preencher o silêncio, não permitirei que a ansiedade governe minhas decisões e não transformarei a demora em prova de que fui esquecida. Esperarei com responsabilidade, continuarei obedecendo ao que já conheço e confiarei que a ausência de explicações não significa ausência de Deus. Mesmo quando não percebo claramente Sua atuação, minha vida continua diante dos Seus olhos.

Reflexão
Existe uma diferença entre Deus estar em silêncio e Deus estar ausente, mas quando estamos sofrendo essas duas experiências podem parecer exatamente iguais. A ausência significa que alguém não está ali. O silêncio significa apenas que não estamos ouvindo aquilo que gostaríamos de ouvir naquele momento. O problema é que frequentemente interpretamos Deus por meio das nossas sensações. Se sentimos Sua presença, acreditamos que Ele está perto. Se recebemos uma resposta, acreditamos que Ele está agindo. Se nada acontece da maneira que esperávamos, começamos a imaginar que Ele se afastou. Dessa forma, nossa percepção passa a determinar nossa teologia.

Marta e Maria experimentaram algo que ilustra profundamente essa tensão. João 11 conta que elas enviaram uma mensagem a Jesus dizendo que Lázaro estava enfermo. O texto faz questão de afirmar que Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. Entretanto, depois de receber a notícia, Jesus permaneceu ainda dois dias onde estava. Para as irmãs, aquele intervalo certamente deve ter sido difícil de compreender. Elas haviam chamado Jesus porque acreditavam que Ele poderia fazer alguma coisa, mas Lázaro morreu antes de Sua chegada. Quando finalmente O encontram, as duas expressam a mesma dor: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.

A frase revela uma interpretação profundamente humana. Para elas, a demora de Jesus parecia incompatível com aquilo que sabiam sobre Seu amor. Entretanto, João havia registrado exatamente o contrário: Jesus as amava. O amor estava presente inclusive durante a espera que elas não compreendiam. Isso não significa que toda demora terminará como a história de Lázaro terminou. Não podemos transformar esse episódio em uma promessa de que Deus sempre restaurará nesta vida aquilo que perdemos. A verdade que podemos guardar é outra: nossa incapacidade de compreender o tempo e a maneira de Deus agir não é evidência suficiente para concluir que Seu amor deixou de existir.

Há também um perigo espiritual nos períodos de silêncio: nossa ansiedade pode começar a fabricar respostas. Quando queremos desesperadamente saber o que Deus está dizendo, podemos interpretar coincidências, emoções, desejos pessoais ou opiniões alheias como se fossem necessariamente direção divina. A maturidade espiritual aprende a permanecer onde a Escritura é clara mesmo quando Deus não oferece detalhes sobre aquilo que desejamos saber. Talvez você não saiba quando determinada situação mudará, mas sabe que deve continuar vivendo com integridade. Talvez não saiba qual será o resultado de uma espera, mas sabe que não precisa pecar para tentar acelerá-lo. Talvez não compreenda por que uma porta não se abriu, mas sabe que pode continuar buscando sabedoria e caminhando com fidelidade.

O silêncio também revela em que nossa confiança está realmente fundamentada. É relativamente fácil confiar quando conseguimos conectar oração e resposta, promessa e cumprimento, necessidade e provisão. Mas existe uma profundidade diferente de fé quando continuamos caminhando sem conseguir formar essas conexões imediatamente. Jó experimentou isso de maneira extrema. Durante grande parte do livro, ele procura explicações para aquilo que está vivendo. No final, Deus não entrega a Jó uma resposta detalhada para cada pergunta. Em vez disso, revela Sua grandeza. Jó descobre que nem sempre compreenderá os caminhos de Deus, mas pode aprender a confiar naquele cujo conhecimento ultrapassa infinitamente o seu.

Talvez você esteja atravessando uma fase em que Deus parece silencioso justamente em uma área sobre a qual mais gostaria de ouvi-Lo. Não transforme esse silêncio em uma história que Deus nunca contou. Não diga a si mesma que Ele esqueceu você, que não se importa, que não está ouvindo ou que sua oração não possui valor simplesmente porque a resposta ainda não chegou. Continue levando sua pergunta a Deus, mas permita que, enquanto a resposta não vem, Ele trabalhe também em quem está fazendo a pergunta. Às vezes queremos que Deus revele imediatamente o próximo capítulo, enquanto Ele está profundamente interessado em formar nosso coração dentro do capítulo presente.

Desafio do Dia
Identifique uma área na qual o silêncio de Deus tem sido especialmente difícil para você. Em vez de perguntar apenas Por que Deus ainda não respondeu?, faça hoje uma segunda pergunta: O que já está claro na Palavra de Deus sobre como devo viver enquanto essa resposta não chega? Escolha uma atitude de obediência que não dependa da mudança das circunstâncias. Pode ser perdoar, permanecer íntegra, abandonar uma decisão precipitada, procurar conselho sábio, cumprir uma responsabilidade ou simplesmente interromper a tentativa de controlar aquilo que você já entregou ao Senhor.

Palavra de Esperança
O silêncio pode tornar uma página difícil de atravessar, mas não significa que Deus deixou a sua história. Há períodos em que você não terá explicações suficientes para responder a todas as perguntas, porém continuará tendo verdades suficientes para sustentar sua fé. Quando não souber o que Deus está fazendo, permaneça perto daquilo que você já sabe sobre quem Ele é. A ausência de uma resposta imediata não é a ausência daquele que conhece você por inteiro. Deus pode estar silencioso aos seus ouvidos, mas sua história continua completamente diante dos olhos Dele.

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