Versículo
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
Mateus 26:41
Oração
Pai, hoje eu quero aprender a reconhecer aquilo que acontece antes da tentação ganhar força. Durante muito tempo talvez eu tenha prestado atenção apenas ao momento em que caí, como se o pecado surgisse repentinamente e eu não tivesse nenhuma oportunidade anterior de perceber o perigo. Mas, olhando com mais cuidado, começo a compreender que existem sinais. Há emoções, situações, ambientes, horários, conversas, lembranças e estados de cansaço que me deixam mais vulnerável. Por isso, eu Te peço discernimento. Ensina-me a perceber o que acontece comigo antes que minha fraqueza encontre uma oportunidade.
Senhor, talvez meus gatilhos estejam em lugares que nunca considerei espirituais. Posso ficar mais vulnerável quando estou cansado, frustrado, sozinho, rejeitado, ansioso, irritado, entediado ou emocionalmente sobrecarregado. Talvez depois de uma discussão eu procure aquilo que me anestesia. Talvez quando me sinto ignorado eu busque aprovação de maneira errada. Talvez quando estou exausto minha vigilância diminua e escolhas que normalmente rejeitaria passem a parecer aceitáveis. Ensina-me a respeitar os limites do meu corpo e das minhas emoções sem usá-los como desculpa para pecar. Reconhecer minha vulnerabilidade não diminui minha responsabilidade. Ajuda me a exercê la mais cedo.
Pai, revela também os gatilhos externos que continuo tratando como inofensivos. Talvez sejam determinados conteúdos, perfis, lugares, conversas, músicas, lembranças, contatos ou situações que despertam algo que depois tenho dificuldade de controlar. Talvez eu diga que consigo lidar, embora minha própria história já tenha demonstrado o contrário. Livra-me da necessidade de provar que sou forte. Se algo repetidamente desperta em mim aquilo que estou tentando abandonar, dá me humildade para criar distância. Não quero continuar aproximando-me do fogo apenas para testar se desta vez conseguirei não me queimar.
Senhor, ensina-me também a não transformar gatilho em destino. Sentir alguma coisa não significa que preciso obedecer ao que senti. Uma lembrança pode surgir sem que eu precise alimentá-la. Uma vontade pode aparecer sem que eu precise satisfazê-la. Uma emoção pode ser intensa sem tornar se senhora das minhas escolhas. Cria dentro de mim um espaço entre aquilo que sinto e aquilo que faço. Que nesse espaço eu consiga lembrar da Tua Palavra, pedir ajuda, sair de um ambiente, interromper uma conversa, mudar de atividade ou simplesmente esperar a intensidade daquele momento diminuir.
Pai, eu quero aprender a vigiar antes de precisar lamentar. Não desejo viver com medo de cada situação nem transformar minha vida em uma prisão de proibições. Quero viver com sabedoria. Mostra-me quais limites são necessários para mim nesta fase. Talvez outras pessoas não precisem deles, mas eu preciso. Dá me humildade para aceitar isso. Eu prefiro parecer cauteloso demais aos olhos de alguém do que continuar repetindo uma queda apenas para provar que consigo permanecer perto daquilo que me enfraquece. Ensina-me a reconhecer meus sinais e a responder a eles antes que se tornem quedas. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Declarando a Promessa
Eu declaro que vigilância não é medo. É sabedoria. Não preciso viver esperando a próxima queda, mas também não ignorarei aquilo que minha própria história já me ensinou. Deus pode dar me discernimento para reconhecer situações em que minha resistência diminui e sabedoria para responder antes que a tentação cresça.
Declaro que meus gatilhos não possuem autoridade para determinar minhas escolhas. Posso sentir tristeza sem procurar novamente aquilo que me anestesia. Posso experimentar rejeição sem correr atrás de aprovação destrutiva. Posso sentir raiva sem ferir. Posso estar sozinho sem retornar ao esconderijo antigo. Posso experimentar uma vontade intensa sem transformá-la em ordem. Pela graça de Deus, aprenderei que sentir não é o mesmo que obedecer.
Declaro que não testarei desnecessariamente minha força. Não preciso provar maturidade permanecendo perto daquilo que repetidamente me derruba. Se um acesso precisa ser removido, removê-lo ei. Se uma conversa precisa terminar, encerrarei. Se um ambiente precisa ser evitado por algum tempo, aceitarei esse limite. Minha liberdade é mais importante do que minha necessidade de demonstrar controle.
Declaro que aprenderei a agir cedo. Não esperarei que uma tentação chegue ao máximo para então procurar Deus. Quando os primeiros sinais aparecerem, responderei. Vigiarei antes da queda, orarei antes do desespero e estabelecerei limites antes de precisar novamente recolher os pedaços das minhas escolhas.
Reflexão
Jesus disse aos discípulos: “Vigiai e orai”. Pouco depois, Pedro enfrentaria uma de suas maiores quedas. Há algo importante nessa ordem. Jesus não disse apenas para orar depois que tudo desse errado. Ele ensinou a vigiar antes.
Um gatilho não é necessariamente pecado. Cansaço não é pecado. Sentir raiva não é pecado. Solidão, frustração e rejeição também não são. O problema está no caminho que aprendemos a percorrer quando essas experiências aparecem. Com o tempo, determinadas emoções podem tornar se como uma placa indicando automaticamente a direção do antigo comportamento.
Quando começamos a reconhecer essas placas, ganhamos alguns minutos preciosos entre o gatilho e a resposta. E nesses minutos pode existir uma saída. Talvez seja desligar o celular, deixar um ambiente, telefonar para alguém, descansar, orar ou simplesmente não tomar nenhuma decisão enquanto estamos emocionalmente vulneráveis. Mas reconhecer o gatilho ainda não é suficiente. Há momentos em que precisaremos fazer algo mais radical: fechar deliberadamente os acessos que continuam conduzindo nos ao pecado.
Verdade que Liberta
Um gatilho explica por que determinado momento exige mais vigilância, mas não decide o que farei. Entre aquilo que sinto e aquilo que escolho, posso aprender uma nova resposta.
Verdade Para Guardar
Não preciso esperar a tentação ficar forte para começar a resistir. Sabedoria é reconhecer o perigo enquanto ainda posso afastar me dele.
Atitude de Arrependimento
Durante os próximos dias, observe suas vulnerabilidades e identifique três gatilhos principais relacionados à área em que você costuma cair. Para cada um, prepare antecipadamente uma resposta simples. Por exemplo: “Quando eu estiver muito irritado, não responderei imediatamente.” “Quando me sentir sozinho, procurarei determinada pessoa em vez do antigo comportamento.” “Quando esse conteúdo aparecer, sairei imediatamente.” Não espere o gatilho surgir para decidir o que fazer. Tome a decisão enquanto está lúcido. Assim, quando o momento chegar, você já terá preparado uma saída.
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