Para que Aprendam a Voltar Quando Errarem (024)

Versículo
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.”

Provérbios 28:13

Oração
Pai, hoje colocamos diante de Ti nossos filhos e reconhecemos algo que, como pais, nem sempre é fácil aceitar: eles errarão. Por mais que desejemos protegê-los, ensinar princípios e mostrar caminhos seguros, chegará o momento em que farão escolhas equivocadas, falarão palavras das quais se arrependerão, ferirão pessoas, tomarão decisões precipitadas e talvez se afastem daquilo que aprenderam. Por isso, nossa oração hoje não é pela formação de filhos que nunca errem, mas de filhos que saibam o que fazer depois do erro. Que não desenvolvam um coração endurecido, incapaz de admitir responsabilidade. Livra-os da necessidade de justificar continuamente suas atitudes, transferir culpa, esconder fatos ou construir mentiras para proteger a própria imagem. Dá-lhes coragem para olhar para aquilo que fizeram e dizer com sinceridade: “Eu errei”. Que compreendam que reconhecer um erro não diminui sua dignidade, mas pode ser o primeiro passo para impedir que uma escolha ruim se transforme em um padrão de vida.

Senhor, quando nossos filhos pecarem, não permitas que corram para longe de Ti por vergonha. Desde o princípio, o pecado tentou convencer o ser humano a se esconder depois da queda, e essa mesma tendência continua presente em nós. Que nossos filhos não imaginem que precisam primeiro organizar a vida para depois se aproximarem de Ti. Ensina-os a confessar com sinceridade, abandonar aquilo que precisa ser abandonado e receber Tua misericórdia sem transformar graça em desculpa para continuar repetindo conscientemente os mesmos caminhos. Dá-lhes discernimento para compreender a diferença entre remorso e arrependimento. Que não estejam apenas tristes porque foram descobertos ou porque sofreram consequências, mas sejam capazes de reconhecer aquilo que suas escolhas produziram diante de Ti, dentro deles e na vida de outras pessoas. E quando precisarem reparar danos, pedir perdão, devolver aquilo que não lhes pertence ou assumir consequências, concede humildade para fazer aquilo que for correto, mesmo quando isso custar orgulho, conforto ou reputação.

Pai, ajuda-nos também a sermos pais e mães diante de quem nossos filhos possam reconhecer erros sem acreditar que serão definidos para sempre por aquilo que fizeram. Se nossa reação diante das falhas deles costuma ser humilhação, acusações repetidas ou lembranças intermináveis do passado, transforma-nos. Não queremos minimizar pecados nem retirar consequências necessárias, mas também não queremos construir uma casa na qual confessar seja mais assustador do que esconder. Dá-nos equilíbrio para ouvir a verdade, inclusive quando ela nos decepcionar profundamente. Ensina-nos a corrigir sem destruir, estabelecer limites sem rejeitar e permitir que nossos filhos reconstruam a confiança quando demonstrarem mudança verdadeira. Guarda-nos também de usar contra eles, em discussões futuras, aquilo que um dia confessaram em vulnerabilidade. Se houve arrependimento e mudança, ajuda-nos a não manter permanentemente aberta uma conta que já deveria ter sido encerrada.

Senhor, queremos deixar aos nossos filhos uma herança que talvez seja tão importante quanto ensiná-los a acertar: queremos ensiná-los a recomeçar. Que nos vejam também reconhecendo nossos próprios erros, pedindo perdão quando falhamos e corrigindo atitudes quando necessário. Não queremos apresentar uma imagem de pais perfeitos, porque isso seria mentira. Queremos mostrar que maturidade espiritual inclui arrependimento. Que nossos filhos aprendam conosco que cair não precisa significar permanecer no chão, que fracassar em uma área não significa ser um fracasso e que uma decisão ruim não precisa governar todas as decisões seguintes. Se algum deles está hoje vivendo as consequências de um erro grave, dá-lhe coragem para começar a reconstruir um passo de cada vez. E se estiver distante porque acredita que já decepcionou demais a família ou a Ti, que compreenda que existe um caminho de retorno. Forma em nossos filhos um coração ensinável, quebrantado e responsável, capaz de reconhecer, confessar, abandonar e recomeçar. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Reflexão
Muitas vezes concentramos grande parte da educação dos filhos em ensiná-los a não errar. Isso é importante, mas incompleto. Também precisamos ensiná-los a lidar corretamente com o erro quando ele acontecer.

Provérbios apresenta duas atitudes possíveis. Uma pessoa pode encobrir ou pode confessar e deixar. Encobrir exige cada vez mais energia, porque frequentemente uma mentira precisará proteger outra. Confessar interrompe esse ciclo, mas exige humildade. E o texto acrescenta algo essencial: não basta confessar, existe também o chamado para deixar.

Essa lição começa pelo nosso exemplo. Filhos que nunca ouvem seus pais dizerem “eu estava errado, perdoe-me” podem crescer acreditando que autoridade significa nunca admitir falhas. Quando pedimos perdão aos nossos filhos, não perdemos autoridade. Demonstramos aquilo que desejamos que eles próprios aprendam a fazer.

Desafio do Dia

Hoje, ore para que seus filhos desenvolvam coragem para reconhecer seus erros antes que precisem ser descobertos por outras pessoas. Peça que tenham uma consciência sensível e disposição para reparar aquilo que puder ser reparado.

Depois, examine sua própria história com eles. Existe algum erro seu pelo qual você nunca pediu perdão? Se Deus trouxer uma situação específica à memória, considere se chegou o momento de procurar seu filho e simplesmente reconhecer aquilo que fez, sem acrescentar justificativas.

Palavra de Esperança

Um erro pode mudar muita coisa, mas não precisa definir uma vida inteira.

Há caminhos que podem ser corrigidos, relações que podem ser reconstruídas e hábitos que podem ser abandonados. Algumas consequências permanecerão, mas até elas podem se transformar em lugares de aprendizado e amadurecimento.

Talvez nossos filhos não acertem sempre. Que, então, aprendam algo precioso: quando perceberem que seguiram pela direção errada, não precisam continuar apenas porque já caminharam muito.

Sempre existe dignidade em reconhecer a verdade e começar a voltar.

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